CONFIRA

Endividamento segue alto e atinge 81,6% das famílias em outubro, aponta CNC

Inadimplência cai para 29,3%, mas quase metade das dívidas em atraso passa de 90 dias e baixa renda segue mais vulnerável

Marcia Furlan

Por Marcia Furlan

05/11/2026 | 20h27

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Dificuldades de pagamento continuam no dia a dia, mostra o levantamento
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São Paulo - O porcentual de famílias brasileiras endividadas ficou em 81,6% em outubro, levemente abaixo dos 81,7% registrados em setembro. A variação de 0,1 ponto porcentual indica estabilidade, mantendo mais de oito em cada dez lares com algum tipo de dívida a vencer. 

No mesmo período, a inadimplência — fatia de famílias com contas em atraso — foi de 29,3%, ante 29,6% no mês anterior. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada nesta quinta-feira, 5.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a acomodação dos indicadores não significa melhora efetiva do quadro. “A oscilação tímida observada em outubro mostra que o orçamento doméstico segue comprimido e sem fôlego para alavancar o consumo”, afirmou. 

Parte da renda segue comprometida 

O levantamento mostra que as dificuldades de pagamento continuam presentes no dia a dia. O tempo médio de atraso recuou de 65,3 para 65,1 dias, mas quase metade (48,8%) dos débitos atrasados segue acima de 90 dias. 

Além disso, 19,3% das famílias informaram ter mais da metade da renda mensal comprometida apenas com dívidas, sinal de forte pressão sobre o orçamento.

Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o impacto do endividamento é mais severo entre as famílias de menor renda. No grupo com renda de até três salários mínimos, a inadimplência subiu para 38,6% (de 38,5% em setembro). Nesse mesmo segmento, 18,3% disseram não ter condições de quitar as dívidas em atraso. "A vulnerabilidade da inadimplência gerada pelo endividamento é ainda mais pronunciada entre as famílias de menor poder aquisitivo", diz Bentes.

A pesquisa também identificou aumento relevante do endividamento entre famílias com renda de cinco a dez salários mínimos: o porcentual passou de 77,9% em setembro para 79,3% em outubro, alta de 1,4 ponto porcentual em um mês.

Outro ponto destacado foi a redução dos prazos dos débitos. A fatia de dívidas com duração superior a um ano caiu de 33,8% para 33,4%. Para a CNC, prazos menores elevam o valor das parcelas mensais, apertando o orçamento e reduzindo espaço para novas compras no comércio e em serviços.

Efeito de proibição das bets ainda é incerto 

A CNC também chamou atenção para possíveis impactos do fim das plataformas de apostas esportivas virtuais — as chamadas bets — proibidas de operar no Brasil no começo de outubro. A entidade afirma que ainda não é possível medir o efeito na economia, já que os dados oficiais de consumo de outubro do IBGE serão divulgados apenas em dezembro.

Mesmo assim, a confederação aponta sinais de mudança no comportamento do consumidor a partir do aumento de buscas na internet por produtos e serviços.

A taxa Selic ainda está mais alta do que deveria, o preço do crédito segue caro, mas quando uma fonte de gastos some repentinamente, como foi com o banimento das bets, naturalmente sobra mais dinheiro no bolso das famílias.
Fabio Bentes,economista-chefe da CNC

Segundo ele, parte desse valor tende a ir para pagamento de dívidas e parte pode migrar para consumo.

Entre 6 e 24 de outubro, as pesquisas no Google por itens essenciais vendidos em farmácias e supermercados subiram 2,4%. Também houve alta nas buscas por plataformas de comércio digital: Magalu (7,7%), Mercado Livre (1,5%) e iFood (0,6%).

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