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Por que os ultraprocessados não têm mais o mesmo gosto? Entenda as mudanças

Foto: Envato Elements

Alimentos ultraprocessados passaram a usar mais aditivos industriais para reduzir custos - Foto: Envato Elements
Alimentos ultraprocessados passaram a usar mais aditivos industriais para reduzir custos

Por Joyce Canele

redacao@viva.com.br
15/01/2026 | 14h39 ● Atualizado | 19h12

Nos últimos anos, consumidores brasileiros passaram a perceber que produtos ultraprocessados, como pão de forma, sorvetes, batatas fritas e sobremesas infantis, já não têm o mesmo sabor de antes. A mudança não é impressão, ela ocorre em todo o país e está ligada à reformulação silenciosa de alimentos industrializados, segundo pesquisa da The BMJ, uma das mais influentes e conceituadas publicações sobre medicina no mundo.

De acordo com o estudo, as diferenças se dão por motivos como redução de custos, estratégias de mercado e expansão do consumo de ultraprocessados, especialmente entre populações de menor renda.

Em um post no Instagram, o nutricionista Gustavo Fogaça afirma que, quem cresceu comendo pão de forma simples, sorvete de creme ou iogurte com fruta reconhece a diferença. Ingredientes básicos como leite, farinha, açúcar e gordura animal deram lugar a listas extensas de aditivos industriais.

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A indústria alimentícia passou por uma reformulação profunda. Para ampliar margens de lucro e atender à demanda por praticidade, ingredientes naturais foram substituídos por compostos industriais mais baratos.

Gorduras hidrogenadas substituíram manteiga e gordura animal, enquanto xaropes de glicose e frutose tomaram o lugar do açúcar tradicional. Aromas artificiais passaram a imitar sabores que antes vinham de ingredientes reais.

O resultado é um alimento mais estável nas prateleiras, mas menos complexo no paladar. O gosto fica mais uniforme, mais doce ou mais salgado, porém menos autêntico. É por isso que muitos consumidores dizem que doces, sorvetes e lanches 'não têm mais gosto de nada' ou lembram versões artificiais do sabor original.

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Essa transformação não é exclusiva do Brasil, mas aqui ganhou força com a consolidação de um modelo alimentar baseado em ultraprocessados. Esses produtos priorizam durabilidade, padronização e baixo custo, muitas vezes em detrimento do sabor e da qualidade nutricional.

Transformação do sabor

Produtos populares ilustram essa mudança:

O pão de forma, antes levava poucos ingredientes, hoje inclui gordura vegetal hidrogenada, amido modificado, emulsificantes, conservantes e corantes.

O sorvete de creme, antes feito basicamente de leite e creme, passou a conter xaropes, estabilizantes e aromatizantes artificiais.

A batata frita de redes de fast food deixou de ser preparada com gordura animal e passou a usar misturas de óleos vegetais, além de aditivos químicos.

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Até sobremesas infantis, como leites fermentados saborizados, ganharam conservantes, corantes e aromas artificiais.

Essas alterações explicam não apenas a mudança de sabor, mas também a crescente distância entre o alimento industrializado e sua versão original.

Quem consome mais ultraprocessados?

O padrão de consumo segue uma lógica global. Países ricos, como Estados Unidos e Reino Unido, lideram o consumo absoluto desses produtos, medido em quilos por pessoa. Nessas nações, a dieta baseada em ultraprocessados já está plenamente estabelecida.

Segundo reportagem do VIVA, o crescimento mais acelerado, no entanto, ocorre em países em desenvolvimento. Em Uganda, as vendas desses alimentos aumentaram 60% em poucos anos.

A mesma tendência é observada na América Latina e no Caribe, incluindo o Brasil. A principal explicação está no preço.

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Ultraprocessados se tornaram mais baratos e acessíveis do que alimentos frescos e minimamente processados, especialmente para famílias de menor renda.

Impactos além do paladar

O avanço dos ultraprocessados tem reflexos diretos na saúde. O consumo frequente desses produtos está associado ao aumento da obesidade, a problemas intestinais, desequilíbrios hormonais e maior risco de doenças crônicas.

No Brasil, até 20% dos casos de câncer podem estar relacionados a hábitos alimentares inadequados, segundo o Instituto Nacional do Câncer.

Carnes processadas estão classificadas como carcinógenos do grupo 1. Já ultraprocessados concentram açúcares, gorduras de baixa qualidade e aditivos químicos. Enlatados podem conter bisfenol A, substância associada a alterações hormonais, segundo matéria publicada no portal VIVA.

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Mudanças alimentares 

O nutricionista aponta que pequenas escolhas fazem diferença, como:

  • Cozinhar mais em casa;
  • Priorizar alimentos naturais e minimamente processados;
  • Escolher produtores locais;
  • Evitar óleos vegetais refinados; e
  • Ler rótulos com atenção.

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São estratégias possíveis, para evitar ultraprocessados, e voltar a sentir o sabor dos alimentos.

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