Risco de colesterol alto triplica a partir de 60 anos; saiba riscos e cuidados
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São Paulo - À medida que o corpo envelhece, o perigo do colesterol alterado torna-se muito mais iminente. Estudos demonstram que o risco de desenvolver alterações graves no colesterol é quase três vezes maior em pessoas com 60 anos ou mais em comparação com adultos jovens.
No entanto, o sinal de alerta vermelho acende ainda mais cedo: indivíduos na faixa dos 45 aos 59 anos apresentam exatamente a mesma tendência de avanço acelerado.
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Isso acontece porque, nesse período da vida, ocorre um acúmulo progressivo de placas de gordura nas paredes das artérias que culmina no desencadeamento de infartos e AVCs. A prevalência de taxas alteradas também se mostra significativamente mais expressiva entre mulheres acima dos 45 anos.
A conscientização sobre o cuidado com os níveis do colesterol é lembrada neste sábado, 8, Dia Nacional de Combate ao Colesterol, data criada em 2003 pensada em reforçar os cuidados e lembrar os riscos relacionados ao colesterol alto.
No Brasil, as doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade, sendo responsáveis por mais de 380 mil óbitos anuais, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Estudos epidemiológicos destacados pela entidade apontam que cerca de 40% dos adultos no País apresentam níveis alterados de colesterol — seja pelo LDL, ou o "colesterol ruim", alto ou pelo HDL, o "colesterol bom", baixo.
Além disso, estima-se que 32% da população adulta brasileira conviva com taxas elevadas especificamente de LDL. Apesar de alarmantes, esses números avançam de forma oculta.
Risco silencioso
Conhecido como uma condição silenciosa, o colesterol alto não apresenta sintomas físicos imediatos. Como esclarece , médica nutróloga da Kora Saúde, Sandra Fernandes:
O maior desafio do colesterol é justamente o fato de ele não causar dor. Por isso, muita gente adia os exames preventivos".
Na grande maioria das vezes, o indivíduo só descobre a alteração após sofrer um evento cardiovascular agudo, como um infarto do miocárdio ou um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o colesterol elevado está diretamente associado a um terço de todas as doenças cardíacas isquêmicas no mundo.
A cirurgiã vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV-SP), Inez Ohashi Torres, detalha que o acúmulo de placas de gordura ocorre de maneira muito lenta e progressiva, estreitando os vasos e dificultando a passagem de sangue sem manifestar sintomas por muitos anos.
Embora o infarto seja a consequência mais associada ao colesterol alto, o comprometimento vascular afeta todo o organismo. Torres alerta para outras graves complicações sistêmicas:
- Doença Arterial Periférica (DAP): o acúmulo de placas de gordura nas pernas reduz o fluxo sanguíneo, causando dor ao caminhar. Em fases avançadas, o paciente sente dor mesmo em repouso, desenvolve feridas de difícil cicatrização e enfrenta o risco real de perda ou amputação do membro;
- Acidente Vascular Cerebral (AVC): o acúmulo de gordura nas artérias carótidas, responsáveis por levar sangue ao cérebro, obstrui a circulação adequada e eleva drasticamente a possibilidade de um derrame;
- Problemas nos rins e pressão alta: o estreitamento das artérias renais devido ao excesso de colesterol favorece o aumento da pressão arterial e pode gerar sérias alterações na função dos rins;
- Esteatose Hepática (gordura no fígado): se os níveis de gordura no sangue permanecerem excessivamente elevados sem controle, o paciente pode desenvolver acúmulo de gordura no fígado, evoluindo para complicações hepáticas severas, como a cirrose.
Desfazendo mitos
Um dos principais equívocos sobre o colesterol elevado é associá-lo unicamente ao excesso de peso. A medicina alerta que pessoas magras também podem apresentar níveis perigosamente altos de colesterol.
"A maior parte do colesterol presente no organismo é produzida pelo próprio fígado. Por isso, uma pessoa magra também pode apresentar colesterol elevado, dependendo de fatores genéticos, da alimentação e de outros fatores", explica a Inez Ohashi Torres.
Pessoas com histórico familiar de eventos cardiovasculares precoces, diabetes, tabagismo ou doença renal crônica necessitam de atenção redobrada.
Além disso, a Sandra Fernandes, da Kora Saúde, faz um alerta importante sobre o uso de medicamentos modernos para perda de peso:
As canetas emagrecedoras e novas terapias para perda de peso são aliadas valiosas, mas elas não substituem a investigação do perfil lipídico. É muito comum atender pessoas que se sentem ótimas e perderam peso, mas que ainda possuem um componente genético ou hábitos alimentares velados que mantêm o colesterol ruim elevado. Cuidar do coração é um processo contínuo".
Como controlar o colesterol
A boa notícia é que as taxas de gordura no sangue respondem de forma excelente às escolhas do dia a dia. Para acompanhar os números, o lipidograma (perfil lipídico completo) deve ser realizado periodicamente por adultos a partir dos 20 anos de idade. Se você tem mais de 50 anos ou possui fatores de risco associados, como histórico familiar ou diabetes, a investigação regular é indispensável para prevenir complicações vasculares irreversíveis.
A nutricionista Denise Kunitake, do Hospital Nipo-Brasileiro e Sandra Fernandes apontam as diretrizes práticas para equilibrar as taxas sanguíneas:
O que incluir na sua alimentação e rotina:
- Fibras solúveis: consuma diariamente farelo de aveia e linhaça, aliados poderosos para reduzir a absorção do colesterol ruim no organismo;
- Frutas e vegetais: insira diariamente frutas, legumes e vegetais folhosos em abundância;
- Proteínas magras: prefira carnes brancas, como de aves e peixes, optando por preparações cozidas, assadas ou grelhadas;
- Gorduras boas: utilize azeite de oliva extravirgem como principal gordura culinária.
- Alimentos integrais: prefira arroz, pão e macarrão integrais em vez das versões refinadas.
- Laticínios desnatados: prefira leite e derivados na versão desnatada e sem adição de açúcares.
- Exercício físico regular: pratique atividades físicas regulares sob orientação profissional. O exercício é essencial para elevar o colesterol bom (HDL) e fortalecer o músculo cardíaco naturalmente.
O que reduzir drasticamente
- Gorduras saturadas de origem animal: evite gordura visível na carne, pele de frango, bacon, toucinho e o consumo excessivo de manteiga, nata ou creme de leite;
- Óleos vegetais altamente saturados: cuidado com o óleo de coco e o óleo de palma (óleo de dendê). Quando consumidos em excesso, eles elevam expressivamente o LDL, contrariando a crença popular de que seriam opções puramente saudáveis;
- Embutidos e ultraprocessados: reduza drasticamente o consumo de salame, presunto, mortadela, salsichas, linguiça e salgadinhos industrializados;
- Açúcares e farinhas refinadas: diminua a ingestão de doces, bolos, tortas, biscoitos recheados, pão doce, croissants, sorvete e refrigerantes;
- Frituras: elimine frituras em geral, como batata frita, pastel, coxinha e churros;
- Bebidas alcoólicas: evite ou limite o consumo de álcool, pois ele interfere diretamente no perfil lipídico, especialmente na elevação dos triglicerídeos.
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