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Vício em jogos: para especialistas, guia da Saúde chega em momento decisivo

Reprodução: Ministério da Saúde

Lançamento é visto como passo fundamental para enfrentar o problema do vício em bets no País - Reprodução: Ministério da Saúde
Lançamento é visto como passo fundamental para enfrentar o problema do vício em bets no País
São Paulo, 23/01/2026 - O Guia de cuidado para pessoas com problemas relacionados a jogo de apostas, lançado no último dia 16 pelo Ministério da Saúde, é visto como um passo fundamental e decisivo por representantes da área da Saúde e desenvolvedores de tecnologia que ajudam a identificar o vício. O documento é classificado como "bastante importante" pelo diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati.
O material tem como objetivo orientar as práticas de saúde e já se encontra acessível a toda a população, podendo ser baixado diretamente através do site do Departamento de Saúde Mental", explica. 
Segundo o especialista, o guia é fundamental pois orienta como cada ponto da rede de atenção psicossocial pode e deve desenvolver ações específicas de cuidado para este público. O texto estabelece uma série de diretrizes clínicas, focadas principalmente na identificação do vício e na compreensão de como esse problema possui interface com outras questões de saúde mental, definindo como esses pacientes devem ser acolhidos e tratados pelo sistema.
Kimati reforça que os problemas relacionados a jogos e apostas assumem uma importância cada vez maior do ponto de vista da saúde pública. Diante desse cenário, a gestão entende que a rede de atenção "deve se desenvolver continuamente, buscando encontrar novas estratégias de cuidado para atender eficazmente as pessoas afetadas por essa condição". 

Guia é lançado em momento decisivo

 A diretora do Instituto de Apoio ao Apostador (Iaa), Daya Pimentel, afirma que o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas chega em um momento decisivo para o País.
 Ele oferece algo que até então carecia em nosso trabalho, que são parâmetros mais claros para que os profissionais de saúde compreendam a complexidade do comportamento de jogo e sejam capazes de reconhecer os sinais precoces e, principalmente, saibam como direcionar o cuidado", avalia. 

Contudo, ela reforça que, ainda assim, a demanda cresce mais rápido do que a capacidade de resposta da rede e que esse contexto exige responsabilidade compartilhada. Isso porque, de acordo com Pimentel, a articulação entre o setor público, as operadoras e as organizações que já atuam diretamente com apostadores, torna o cuidado mais acessível e mais realista.

Leia também: Vício em bets deveria ser questão de saúde pública, defendem especialistas

"Nesse contexto, a experiência acumulada por iniciativas como a do Instituto de Apoio ao Apostador ajuda bastante a ampliar o alcance das ações preventivas e a fortalecer o ecossistema de proteção, sempre com base em evidências e na escuta qualificada de quem vive os impactos do jogo compulsivo", conclui. 

Rodrigo Machado, psiquiatra colaborador e pesquisador do Programa Ambulatorial do Jogo (Pro-AMJO), do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, também vê o guia como um passo importante para ajudar no treinamento dos profissionais da área da saúde.
Inclusive ele contou com participação de um pessoal do nosso ambulatório, o Hermano Tavares e a Maria Paula Magalhães. É um material bastante enriquecedor para capacitação dos nossos profissionais de saúde no atendimento desse público específico", diz Machado.
Thiago Iusim, CEO da Betshield Responsible Gaming, provedora de mecanismos que visam proteger o apostador, também considera a ação um passo fundamental para um ecossistema mais maduro e sustentável.
O envolvimento direto da saúde pública valida a existência de um mercado regulado e reconhece que, embora o jogo seja entretenimento, a proteção aos vulneráveis é prioridade", afirma. 
Na avaliação de Iusim, é essencial reconhecer e dar ferramentas para lidar com pessoas que desenvolvem um desvio de comportamento e até o vício.
"Acreditamos que é possível com tecnologia agir numa etapa anterior e alertar usuários de uma tendência antes dessa se tornar um problema de saúde de fato, algo que já está previsto como requisito na Portaria 1.231/24 da Secretaria de Prêmios e Apostas".

Plataforma de autoexclusão

Entre outras ações que visam proteger o consumidor, em meados de dezembro entrou em operação a Plataforma Centralizada de Autoexclusão. A ação, uma iniciativa conjunta dos ministérios da Fazenda e da Saúde, permite aos cidadãos bloquearem, de uma única vez, o acesso a todos os sites de apostas e interromperem o recebimento de propagandas do setor.
Já no Estado de São Paulo, o Procon-SP e OAB-SP lançaram em conjunto uma cartilha sobre bets alertando para riscos e direitos do apostador.

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