Brasil pode registrar 860 mil casos de dengue em 2027, prevê a Fiocruz
Projeção indica pico em abril e tendência de alta em seis Estados; pesquisadores alertam para incertezas relacionadas ao El Niño
Por Redação Viva
06/11/2026 | 18h21Divulgação/Fiocruz
O Brasil pode registrar cerca de 860 mil casos de dengue em 2027, com um pico previsto para abril, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Essa projeção, baseada em 22 modelos de pesquisa, sugere que a dengue continuará a ser uma preocupação de saúde pública, embora não se espere uma epidemia como a de 2024.
Seis estados, incluindo Paraná e Rio de Janeiro, devem registrar um aumento de casos em comparação com a temporada anterior, enquanto a influência do fenômeno climático El Niño pode afetar a transmissão da doença. A incerteza nos dados reforça a necessidade de monitoramento contínuo dos indicadores epidemiológicos.
As projeções visam auxiliar gestores na preparação dos serviços de saúde e na distribuição de insumos, destacando a importância da eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti. Além disso, estima-se que mais de 90 mil casos de chikungunya também possam ocorrer em 2027, com aumento concentrado principalmente no Nordeste.
São Paulo – O Brasil pode registrar cerca de 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, segundo projeção apresentada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta sexta-feira, 6. O pico é esperado para abril, com aproximadamente 40 mil casos.
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A estimativa faz parte de um estudo que reúne 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores de oito países. O trabalho foi apresentado durante o webinário Preparação para a temporada de dengue 2027, promovido pela Fiocruz, pela Fundação Getulio Vargas (FGV), pelo Mosqlimate, pelo InfoDengue, pelo KWAR-AI e pelo The Global Health Network América Latina e Caribe.
O modelo conjunto, chamado de ensemble, estima entre 560 mil e 1,6 milhão de casos, considerando um intervalo de incerteza de 80%. A projeção aponta um cenário semelhante ao observado em 2025 e 2026, sem indicar a repetição da epidemia registrada em 2024.
“As projeções não apontam uma epidemia como a de 2024 [ano com um aumento atípico de casos], mas indicam que a dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção”, afirma a pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, Claudia Codeço.
Estados com tendência de alta
Apesar da perspectiva de estabilidade no cenário nacional, as projeções indicam aumento provável de casos em seis Estados na comparação com a temporada anterior:
- Paraná
- Rio de Janeiro
- Mato Grosso do Sul
- Sergipe
- Acre
- Minas Gerais
Nas demais unidades da Federação, o cenário previsto é próximo ou inferior ao período anterior.
Os pesquisadores também chamam a atenção para a possibilidade de influência do El Niño nas condições de transmissão da doença. A previsão oficial do modelo conjunto, porém, não incorpora os possíveis efeitos do fenômeno climático.
Três modelos utilizados no estudo consideram variáveis climáticas, mas apresentam diferenças quanto à intensidade dos efeitos e à distribuição geográfica dos casos. Para a Região Sul, essas projeções sugerem uma temporada potencialmente mais intensa do que a indicada pelo modelo de referência.
Segundo os especialistas, a incerteza reforça a necessidade de acompanhamento contínuo dos indicadores epidemiológicos e de preparação dos serviços de saúde.
Chikungunya também preocupa
Além da dengue, o estudo estima mais de 90 mil casos prováveis de chikungunya no Brasil em 2027. A doença também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e pode provocar febre e dores intensas nas articulações.
A tendência de aumento está concentrada principalmente no Nordeste, com destaque para Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí. Também há previsão de alta nos três Estados do Sul, em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Nas temporadas anteriores, o País registrou 127 mil casos de chikungunya em 2024-2025 e 76 mil em 2025-2026. O Mato Grosso do Sul aparece como o Estado com maior incidência da doença. O Espírito Santo não foi incluído nas projeções devido a inconsistências nos dados de notificação.
Prevenção
As projeções têm como objetivo auxiliar gestores públicos no planejamento da rede de atendimento e na distribuição de insumos. Embora não substituam a vigilância epidemiológica de rotina, os dados permitem antecipar possíveis cenários de transmissão.
A eliminação de criadouros do mosquito continua sendo uma das principais medidas de prevenção. A orientação é evitar o acúmulo de água em vasos, pneus, calhas e outros recipientes, além de procurar atendimento de saúde diante de sintomas como febre, dores no corpo e manchas na pele.
(Por Lucas Matutino, especial para o VIVA)
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