Arquitetura de hotéis deve ser repensada para acolher o viajante maduro
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São Paulo - A arquitetura dos destinos e hoteis está sendo repensada para que acomode com mais conforto e segurança o viajante 60+, público que mais cresce no turismo brasileiro. De acordo com o especialista em longevidade, Willians Fiori, a intenção é adaptar os espaços para os idosos sem transformar o ambiente em hospitalar.
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Segundo Fiori, a inteção é criar ambientes adaptados universais, não somente para idosos mas para quaisquer pessoas com mobilidade reduzida. “Mais do que criar espaços para eles, é colocá-los dentro do que já existe”, afirma.
Hotel com café da manhã é a hospedagem preferida dos idosos (39%), seguida de hotel com meia pensão (12%), de acordo com a pesquisa “Turismo 60+: O Brasil que Viaja Depois dos 60”, conduzida pelo data8.
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O que os hoteis precisam oferecer para o público 60+?
De acordo com a geroarquiteta Flavia Ranieri, o público maduro repara na comodidade, conforto e segurança nos hoteis. Elementos práticos durante a estadia, como chuveiro e vaso sanitário, precisam ser confortáveis e ter barra de apoio, para que se sintam seguros no uso.
Segundo Ranieri, esses pontos são básicos, já exigidos na Norma de Acessibilidade, que precisa ser extrapolada.
E as pessoas que se desequilibram quando caminham? E quem usa bengala? Dá para enxergar o cardápio? Consegue ouvir o guia? Os detalhes afetam o psicológico e a experiência é muito sobre o psicológico”.
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Um diferencial, na opinião da geroarquiteta, é investir em entregas de conforto para os idosos, como travesseiros a mais para as pernas ou elevador de assento para as refeições. “São pequenos detalhes que vão melhorar a experiência dele como um todo”, pountua.
A prestação de serviços deve considerar a comodidade quando se trata de pessoas idosas, como oferecer para carregar as malas ou manter uma recepção silenciosa, segundo Ranieri. A recomendação dela é que a hotelaria mantenha contato com os guias 60+ da cidade para entender os pontos de desconforto e melhorias, e assim atuar pontualmente.
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Planejamento governamental
Apesar dos longos debates sobre a inversão da pirâmide no Brasil, a política brasileira não tem o costume de investir em planejamento a longo prazo.
As estruturas não mudaram na velocidade que o Brasil envelheceu”, diz o ex-deputado federal Walter Feldman.
No momento, Feldman acredita que, com a mobilização do setor, é possível ganhar representação política e tratar o turismo como prioridade.
“O Brasil tem essa característica de não priorizar aquilo que é o seu potencial. [...] Isso reduz muito aquilo que seria o potencial de ganho a partir daquilo que são as nossas características: a realidade ambiental, a realidade de recepção turística, tudo isso é um potencial natural do Brasil que nunca foi explorado estrategicamente do ponto de vista econômico”, disse Feldman.
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Segundo Willians Fiori, nem o turismo nem nenhuma outra atividade se preparou para o envelhecimento dos brasileiros.
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