Escritor e jornalista Zuenir Ventura morre aos 95 anos
Autor de obras como "1968: O ano que não terminou" e "Cidade Partida" será velado na ABL e enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio
Por Bárbara Ferreira
22/09/2026 | 11h57Estadão Conteúdo/André Lessa
O escritor e jornalista Zuenir Ventura, referência do jornalismo brasileiro, faleceu aos 95 anos em sua casa devido a pneumonia, conforme anunciado pela Academia Brasileira de Letras, da qual era membro. Sua morte marca a perda de uma figura importante na literatura e na imprensa do país.
Nascido em 1º de junho de 1931 em Além Paraíba, Zuenir teve uma trajetória marcada por sua formação em Letras na UFRJ e por sua atuação na imprensa, onde trabalhou em diversos veículos ao longo de mais de 60 anos. Ele é autor de obras icônicas, como '1968: O ano que não terminou', que retratam momentos cruciais da história brasileira.
O corpo de Zuenir será velado na Academia Brasileira de Letras e enterrado no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista. Recentemente, um documentário sobre sua vida, intitulado 'Mestre Zu', foi lançado, celebrando sua contribuição ao jornalismo e à literatura.
São Paulo - O escritor e jornalista Zuenir Ventura, autor de livros que se tornaram referências do jornalismo brasileiro, morreu aos 95 anos, nesta terça-feira, 22. Ele escreveu obras como "1968: O ano que não terminou" e "Cidade Partida".
Segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), Ventura morreu em casa por conta de uma pneumonia. Imortal da Academia, ele era o sétimo ocupante da Cadeira n.º 32, eleito no dia 30 de outubro de 2014, sucedendo Ariano Suassuna. Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os dois filhos, o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura.
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"Seu corpo será velado amanhã na Academia Brasileira de Letras e enterrado no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista", comunicou em nota Academia Brasileira de Letras (ABL).
Mineiro no Rio
O autor é mineiro, nascido em 1º de junho de 1931, na cidade de Além Paraíba, filho do pintor de paredes José Ventura – trabalho que também praticou quando criança – e da dona de casa Herina de Araújo. Foi ela quem o incentivou a estudar, quando a família se mudou para Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e ele ganhou uma bolsa de estudos.
Em troca da bolsa de estudos, ele dava aulas para crianças do ensino primário, o que despertou o desejo de ser professor. Aos 20 anos, mudou-se para a capital, Rio de Janeiro, para estudar Letras Neolatinas na Universidade do Brasil, atual UFRJ.
O escritor completou 95 anos este ano e foi homenageado com o documentário "Mestre Zu", sobre sua trajetória. O documentário foi dirigido por Zelito Viana e reúne depoimentos de amigos e colegas para reconstruir a carreira do jornalista, que teve como professores nomes como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.
História na imprensa
Ventura foi preso em 1968 por conta do AI-5, durante a ditadura militar, momento que ele transformou em literatura. Vinte anos depois, lançou seu livro mais conhecido "1968: O ano que não terminou", contando detalhes e depoimentos dos acontecimentos políticos daquele ano.
O livro se tornou um dos clássicos da reportagem brasileira e foi inspiração para a minissérie Anos Rebeldes, escrita por Gilberto Braga.
Passou mais de 60 anos se dedicando à imprensa brasileira, com passagens pelos jornais Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo. Zuenir ganhou o Prêmio Jabuti de Reportagem pelo livro "Cidade Partida", publicado em 1994.
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