Na ONU, Lula defende soberania e critica Conselho de Segurança
Presidente afirmou que o Brasil não cabe no “quintal de ninguém” e criticou interferências externas em processos eleitorais
Por Broadcast
22/09/2026 | 11h51Ricardo Stuckert/PR
Durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o Conselho de Segurança, afirmando que todos os países são reféns de sua ineficácia, o que representa um momento crítico para a entidade e para a proteção dos mais vulneráveis.
Lula destacou a falência da ONU em lidar com conflitos e a irresponsabilidade das superpotências, enfatizando que o poder de veto concedido a alguns países tem levado a um cenário de guerra e desestabilização global.
O presidente reafirmou a soberania do Brasil, rejeitando ingerências externas e a privatização de serviços essenciais como o Pix, e se comprometeu a combater a corrupção e a violência sem terceirizar responsabilidades, defendendo a autonomia nacional em questões de segurança e democracia.
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira, 22, em discurso na abertura da sessão de debates da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que todos os países são “reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre seu papel”. Lula disse que este é “o momento mais crítico” da entidade e que “o sentimento que me move hoje é de indignação”. As declarações foram feitas na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
O presidente afirmou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, “foi testemunha dos crescentes desmandos das superpotências” nos últimos anos. “Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais frágeis nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um conselho de segurança que não cumpre seu papel”, afirmou.
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Lula disse que a ONU “está falhando em livrar a sociedade do flagelo da guerra” e que o poder de veto dado aos membros permanentes do Conselho de Segurança “concedeu às superpotências o privilégio da insensatez”.
“Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência”, afirmou. “As concessões à lei do mais forte já passaram dos limites.” Isso não é idealismo. É o mais puro realismo. A guerra não é a continuação da política por outros meios, é a falência total da política”, completou.
Soberania e ingerência externa
Ao abordar a situação da América Latina e do Caribe, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. A declaração foi seguida de aplausos no auditório da ONU.
“Na América Latina e no Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.
O presidente citou seu histórico político de luta contra a ditadura militar e na defesa da democracia. “Somos chamados a optar entre o unilateralismo ou multilateralismo, soberania ou subordinação”, disse.
Lula afirmou ainda que o mundo voltou a presenciar ingerência externa em processos eleitorais. “A democracia está novamente em xeque, voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, declarou.
Guerras e Oriente Médio
Lula também criticou o conflito no Oriente Médio e afirmou que “famílias em todo o mundo pagam pelo aumento do preço dos combustíveis”. Segundo o presidente, o “estreito de Ormuz se transformou em trincheira da guerra, quando deveria ser uma passagem vital para o comércio”.
O presidente citou as guerras em Gaza e na Ucrânia. Sobre o conflito entre israelenses e palestinos, Lula criticou o silenciamento da jurista italiana Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados.
Combate ao crime organizado
Na área de segurança, Lula afirmou que o Brasil não vai “terceirizar responsabilidade” para enfrentar o crime organizado e que o País não precisa de “porta-aviões”.
“As pessoas estão cansadas da violência, mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, declarou.
Pix
Lula também levou ao discurso um mote relacionado ao Brasil e afirmou que o combate à corrupção seguirá sendo feito “doa a quem doer”. O presidente disse ainda que há pressão de multinacionais pela privatização do Pix.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, afirmou.
O presidente também abordou a defesa da democracia e da soberania nacional em seu discurso na ONU, em meio à reta final das eleições brasileiras.
(Por Gabriel de Sousa, Gabriel Hirabahasi e Victor Ohana)
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