Bolsa Família tem ao menos 27,2 milhões de potenciais eleitores
Na última sexta-feira, a 17 dias das eleições, o governo anunciou que reajustará o Bolsa Família em 15,04% a partir de outubro
Por Broadcast
21/09/2026 | 10h36Divulgação/Agência Senado
O Programa Bolsa Família terá um reajuste de 15,04% em outubro, impactando cerca de 27,2 milhões de potenciais eleitores, principalmente no Nordeste, o que pode influenciar o resultado das eleições deste ano. A maioria dos beneficiários em idade eleitoral são mulheres, com 18 milhões, e a distribuição regional mostra que 12,9 milhões estão no Nordeste, o que destaca a importância desse grupo nas eleições.
Embora o governo justifique o reajuste como uma medida para recompor perdas inflacionárias, a oposição critica a ação como uma tentativa de compra de votos, enquanto o governo afirma que o impacto financeiro será de R$ 5,8 bilhões este ano.
Brasília - O Programa Bolsa Família, que receberá reajuste de 15,04% em outubro, conta com ao menos 27,2 milhões de potenciais eleitores, sendo que a maioria se encontra no Nordeste. Os dados são de levantamento da Broadcast junto à plataforma Visdata/MDS, plataforma de transparência do Ministério do Desenvolvimento Social. Os últimos números disponíveis são de agosto de 2026.
Os dados da plataforma trazem recortes por idade e local de moradia dos 49,7 milhões beneficiários do programa. A reportagem contou como potencial eleitor aqueles que tinham de 18 a 64 anos, totalizando 27,2 milhões ou cerca de 55% do total.
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A última faixa etária desagregada no Visdata/MDS é de 59 a 64 anos, sendo a seguinte "acima de 64 anos", que engloba tanto beneficiários cujo voto é obrigatório até os 70 anos, quanto os mais idosos que não precisam participar do pleito se não desejarem.
O voto é obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para os analfabetos, maiores de 70 e jovens de 16 e 17 anos. Por isso, ainda há cerca de 2,5 milhões de beneficiários do Bolsa Família que poderiam votar se quisessem, apesar de poderem não estar entre os que são obrigados.
São aqueles de 16 e 17 anos e os acima dos 70 anos. No primeiro grupo, há 2,2 milhões de pessoas, divididos quase que igualmente entre homens e mulheres. Entre os idosos, são aproximadamente 242 mil.
A maior parte dos potenciais eleitores que são beneficiados pelo Bolsa Família são mulheres. Na faixa etária eleitoral considerada pela reportagem, são cerca de 18 milhões delas contra aproximadamente 9 milhões de homens.
No recorte regional, são 12,9 milhões dos beneficiários em idade eleitoral que moram no Nordeste. Logo em seguida vem o sudeste, com 7,3 milhões. Por fim vem o Norte, com 3,8 milhões, o Sul, com 1,8 milhão, e o Centro-Oeste, com 1,4 milhão.
Componente eleitoral
O cientista político e sócio da Hold Assessoria Legislativa André César avalia que esse contingente de possíveis eleitores pode ser decisivo no pleito deste ano.
"É muito importante, pensando nessa disputa eleitoral que caminha para ser mais apertada do que as eleições de 2022. O que as pesquisas estão mostrando agora é que esse contingente é fundamental."
André Cesar, cientista político
"Aquela foi uma eleição muito apertada na vitória do Lula sobre o então presidente Jair Bolsonaro, com uma vantagem de 1,8 milhão de votos para Lula no segundo turno", recorda César.
Reajuste de R$ 91
Na última sexta-feira, a 17 dias das eleições, o governo anunciou que reajustará o Bolsa Família em 15,04% a partir de outubro. Com o aumento linear aos benefícios dentro do Bolsa Família, o piso dos pagamentos sai de R$ 600 para R$ 691, com a média dos benefícios saindo de R$ 691 para R$ 777. A alta foi justificada pelo Executivo pela previsão legal de dar reajuste inflacionário aos beneficiários.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém 64% das intenções de voto no primeiro turno entre os beneficiários do Bolsa Família, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 21. No mesmo segmento, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou de 20% para 17%, uma queda de três pontos porcentuais.
André Cesar aponta que a campanha a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ter agido para aumentar os valores do benefício pelo temor de perder votos desse público para Flávio Bolsonaro. Segundo ele, as pesquisas chegaram a mostrar uma migração dessa base eleitoral, que foi revertida, mas o temor ficou.
"Então esse anúncio de reajuste dá um alívio grande para essa parcela da população, e nesse sentido, como é que ficam os candidatos? Eu posso ganhar voto aqui, eu posso ganhar voto ali, então, a partir disso, você tem o jogo sendo jogado nesse campo, que é um campo importante, é um campo que pode ser decisivo no processo eleitoral", completou.
Apesar disso, como já mostrou a Broadcast, nenhum beneficiário deve, de fato, receber os valores reajustados antes do primeiro turno e só uma parte deve ser impacto antes do segundo turno por conta do calendário de pagamentos do Bolsa Família.
O que diz o governo
A reportagem procurou o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) para que este comentasse os dados, e este respondeu que a alteração nos valores do programa não tem relação com o calendário eleitoral e visa recompor a perda inflacionária no período: "O reajuste tem como objetivo recompor as perdas inflacionárias e preservar o poder de compra das famílias beneficiárias."
"A atualização de 15,04% corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026 e representa a primeira recomposição dos valores pela inflação desde a retomada do atual modelo do programa, em 2023. A correção dos valores dos benefícios está prevista na Lei nº 14.601/2023 e foi regulamentada pelo Decreto nº 13.120/2026", disse a Pasta em nota.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi na mesma linha. Ele defendeu veementemente em entrevista à CNN Brasil no sábado, 19, que o reajuste do programa Bolsa Família, com impacto de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22 bilhões no próximo, não possui motivação eleitoreira.
Segundo Durigan, se a intenção fosse eleitoral, o reajuste teria sido implementado antes do primeiro turno das eleições, diferentemente de ações passadas, como a "PEC Kamikaze" de 2022, que elevou o benefício de R$ 400 para R$ 600 em agosto sem justificativa inflacionária.
Flávio Bolsonaro critica
Já Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições, criticou a medida e a classificou como "ato de desespero", além de acusar o presidente de tentar "comprar o voto dos mais pobres". As declarações ocorreram durante comício em Joinville, em Santa Catarina, neste sábado, 19.
Na ocasião, Flávio fez referência à decisão do governo Lula de aumentar o valor mínimo do benefício do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691. "O desespero do sistema bateu de vez", afirmou o candidato do PL.
(Por Mateus Maia)
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