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Eleições 2026

Como avaliar propostas para a saúde dos candidatos à Presidência

De acordo com especialistas, sobram promessas e faltam explicações consistentes para esta área nas propostas dos presidenciáveis

Marcel Naves

Por Marcel Naves

22/09/2026 | 19h57

Fernando Frazão/Agência Brasil

Planos de governo devem detalhar o financiamento e a estrutura do sistema - Fernando Frazão/Agência Brasil
Planos de governo devem detalhar o financiamento e a estrutura do sistema
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As propostas de saúde para as eleições presidenciais de 2026 revelam a necessidade de um planejamento cuidadoso, pois mudanças no sistema de saúde exigem tempo e recursos, além de considerar a estrutura já existente no país.

Especialistas apontam que, embora os candidatos reconheçam problemas como filas de espera e a necessidade de inovação no SUS, falta detalhamento sobre como financiar e implementar suas propostas, o que gera incertezas sobre a viabilidade das soluções apresentadas.

Os candidatos devem apresentar suas propostas de forma clara e com prazos definidos, e a legislação eleitoral exige que as propostas sejam formalmente registradas, permitindo que os eleitores analisem as promessas feitas antes da votação.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Entender as propostas de saúde para as eleições presidenciais de 2026 exige ir além das promessas de campanha. Embora os candidatos apresentem soluções fáceis para problemas complexos, especialistas em gestão pública alertam que mudanças no sistema de saúde demandam planejamento, recursos e tempo.

O conselheiro em gestão de saúde e mestre em políticas públicas da FGV, Antônio Carlos Matos da Silva diz que o erro mais comum nos programas de governo é ignorar o que já existe. Ele lembra que o próximo governo herdará um sistema de saúde em funcionamento, com contratos, hospitais, profissionais e uma rede espalhada por mais de 5.500 municípios.

Saber distinguir o que deve continuar, o que precisa ser corrigido e o que exige uma mudança profunda é parte da qualidade de um plano. Um candidato que não explica como vai manter essa rede de pé está ignorando o que sustenta boa parte do atendimento especializado do País.”
Antônio Carlos Matos da Silva

Para a pesquisadora em governança Tacyra Valoise, os programas apresentados pelos candidatos reconhecem problemas como as longas filas para atendimento, o fortalecimento da atenção primária e uso de tecnologias, entre outras necessidades, pois são prioridades pertinentes. No entanto, Tacyra afirma que faltam explicações sobre como pretendem lidar com eles. "A fragilidade está no detalhamento do financiamento, da disponibilidade de profissionais e da organização dos serviços necessária para que essas propostas cheguem à população."

As velhas propostas

De acordo com os especialistas, alguns temas costumam ser recorrentes durante as campanhas e nunca são devidamente explicados. Geralmente, o candidato cita o problema, diz que irá resolver, mas não detalha como ou quando. Entre os pontos citados, estão:

A diminuição das filas - O paciente não enfrenta apenas uma fila, ele espera pela consulta, exame, laudo, retorno e  agendamento até chegar ao procedimento final. Segundo ele, Inteligência artificial ajuda apenas a decidir quem deve ser atendido primeiro, mas não criam médicos e nem salas cirúrgicas.

Financiamento da saúde -  O eleitor precisa conhecer os modelos de gestão do gasto público, para saber de onde vem o dinheiro, como os serviços irão se sustentar e como os prestadores serão remunerados.

Inovação no SUS - A oferta de terapias novas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é interessante, mas o sistema tem um processo de avaliação, conduzido pela Comissão Nacional de Incorporação  de Tecnologia (Conitec), que analisa a eficácia e o impacto no orçamento. É preciso dizer como esses critérios serão respeitados.

Atendimento nos municípios - O presidente da República depende da articulação com Estados e municípios para entregar boa parte do que promete. As responsabilidades tem que ser definidas e é preciso explicar como as soluções serão integradas.

Como identificar uma boa proposta

Para Tacyra Valois, basicamente o eleitor precisa identificar o que mudará, em quanto tempo e como poderá acompanhar  as mudanças no atendimento.

Um plano de governo não precisa antecipar cada detalhe da gestão, mas deve apresentar um caminho consistente entre a prioridade anunciada e o resultado esperado."
Tacyra Valois

Matos da Silva chama a atenção para perguntas básicas que, de acordo com ele, precisam ser respondidas. Caso contrário, essas propostas se tornam apenas promessas e não uma política pública.

Qual problema a proposta resolve? Onde estamos hoje? Aonde queremos chegar? Em quanto tempo? Quanto custa? Como vamos saber se funcionou?"
Antônio Carlos Matos da Silva

Os programas dos presidenciáveis

Confira abaixo os principais pontos das propostas dos candidatos à Presidência da República mais bem pontuados nas pesquisas de intenção de voto. 

Lula (PT): Busca fortalecer a estrutura que o SUS já possui. Propõe o uso do celular para agendamento de consultas e exames nas Unidades Básicas de Saúde. Aplicação de inteligência artificial para dar prioridade aos casos mais graves. Incentivo à fabricação de medicamentos e vacinas dentro do Brasil.

Flávio Bolsonaro (PL): Defende a integração de informações entre a rede pública e a rede privada. Propõe o serviço de entrega de medicamentos em domicílio para idosos, pessoas com deficiência e doentes crônicos, além de dar atenção especial à saúde mental e ao atendimento de pessoas com autismo.

Augusto Cury (Avante): Busca tornar o atendimento mais rápido e acessível, sendo a principal medida o uso da telemedicina com inteligência artificial, permitindo que a população faça consultas simples pelo celular 24 horas por dia.

Em paralelo, prioriza a criação de clínicas públicas voltadas ao cuidado da depressão e da ansiedade, além de focar no aumento de exames preventivos para detectar e tratar o câncer logo nos primeiros estágios.

Ronaldo Caiado (PSD): Aposta na organização dos serviços por regiões do País e pelo nível de risco de cada paciente. Seu plano estabelece metas com prazos máximos para atendimento, como o limite de até 60 dias para o início do tratamento de pacientes diagnosticados com câncer.

Romeu Zema (Novo): Propõe aproveitar a estrutura já existente em hospitais e clínicas particulares nos horários em que estão vagos. A ideia é contratar esse tempo ocioso do setor privado para realizar exames e consultas represadas na fila do SUS.

Renan Santos (Missão): Quer focar no fortalecimento dos postos de saúde dos bairros para resolver até 80% dos problemas mais simples perto da casa do paciente. Para cirurgias e tratamentos mais complexos, propõe a criação de centros regionais de referência.

Os candidatos ao Poder Executivo são obrigados pela legislação eleitoral a apresentar a proposta de governo formal no momento do registro da candidatura. A íntegra dos documentos pode ser conferida junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  

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