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Café reduz risco de demência e protege função cognitiva, aponta estudo

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Ingestão de café estimula a liberação de dopamina, o que eleva o humor e a concentração - Envato
Ingestão de café estimula a liberação de dopamina, o que eleva o humor e a concentração
Por Alexandre Barreto

14/04/2026 | 16h52

São Paulo - O consumo moderado de café pode reduzir o risco de demência e contribuir para a manutenção da função cognitiva ao longo do envelhecimento, segundo estudo publicado na revista científica JAMA (The Journal of the American Medical Association).

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, analisou dados de cerca de 130 mil pessoas acompanhadas por quase 40 anos.

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Nesse período, 11.033 participantes desenvolveram demência. Os resultados mostram que pessoas que consumiam entre duas e três xícaras de 237 ml por dia apresentaram risco 18% menor em comparação aos que consumiam menos.

Os pesquisadores também observaram associação entre o consumo de bebidas com cafeína, como café e chá, e melhor desempenho cognitivo. O efeito pode estar relacionado à ação da cafeína no sistema nervoso central.

De acordo com o neurologista Edson Issamu Yokoo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a substância atua na regulação de neurotransmissores e na proteção das células cerebrais.

“A cafeína é tida como neuroprotetora por regular a liberação de neurotransmissores como o glutamato, que é responsável por evitar a toxicidade celular. Ela também estimula a produção de BDNF, uma proteína que ajuda na sobrevivência das células e na plasticidade sináptica. Somado ao alto teor de antioxidantes, esse processo ajuda a blindar o tecido cerebral contra o estresse oxidativo, o que mantém a integridade das conexões neurais”, afirma.

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Cafeína aumenta a taxa metabólica

O especialista destaca que a ingestão de café estimula a liberação de dopamina, o que eleva o humor e a concentração. Ao otimizar o desempenho cognitivo, a bebida também pode trazer benefícios para a saúde física e metabólica.

“A cafeína é capaz de aumentar a taxa metabólica, auxiliando na queima de gordura e na preparação do corpo para o esforço físico intenso, por conta da elevação dos níveis de adrenalina.

Na dieta ocidental, o café se destaca como a principal fonte de antioxidantes, superando muitas vezes o consumo proveniente de frutas e vegetais. Rico em polifenóis e ácidos clorogênicos, o grão oferece substâncias que combatem a inflamação e o envelhecimento celular.

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Para o especialista, o café não deve ser encarado como o principal escudo contra a demência. Pelo contrário: o consumo excessivo pode desencadear problemas graves, como transtornos coronarianos e até eventos vasculares encefálicos.

Como consumir o café?

A recomendação do especialista é beber café preto, puro, sem adição de açúcar ou adoçantes artificiais. O neurologista destaca que consumi-lo dessa forma garante a preservação das propriedades termogênicas, antioxidantes e de estímulo cognitivo do grão.

Ao transformá-lo em uma bebida que se assemelha mais a uma sobremesa, com a adição de xaropes saborizados, creme de leite, leite condensado, chantilly ou grandes quantidades de leite e açúcar, os ganhos metabólicos e os efeitos benéficos são anulados pelas calorias, gorduras saturadas e açúcares extras.

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Para pessoas que sofrem de ansiedade generalizada, transtorno do pânico ou insônia crônica, outro ponto importante é monitorar o consumo da bebida.

"O horário ideal para a última xícara de café do dia geralmente é até o meio da tarde, por volta das 15h ou 16h, garantindo que a bebida não afete a qualidade do sono e da saúde mental. O consumo tardio pode prolongar a latência do sono e diminuir a eficiência dos benefícios”, conclui Yokoo.

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