Canetas para emagrecer podem afetar a segurança de cirurgias plásticas
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15/01/2026 | 18h49
São Paulo, 15/01/2026 - O aumento nas buscas por cirurgias plásticas após a rápida perda de peso favorecida pelo uso de canetas para emagrecimento tem colocado uma nova preocupação para profissionais da área. Por conta disso, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) publicou nesta semana uma nota reforçando a importância de "critérios médicos rigorosos e de um preparo pré-operatório adequado para garantir segurança e bons resultados" desses pacientes.
Segundo o cirurgião plástico Harley Cavalcante, membro titular da SBCP e especialista em cirurgias pós-grande emagrecimento, o perfil desses pacientes se assemelha ao de pacientes pós-bariátricos. “A perda de peso acelerada pode vir acompanhada de redução de massa magra e deficiências nutricionais", explica.
"A cirurgia plástica é indicada nesses casos, mas exige planejamento, avaliação criteriosa e acompanhamento multiprofissional.”
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De modo geral, a SBCP orienta que pacientes que utilizaram medicamentos para emagrecimento sejam avaliados quanto à estabilidade do peso, ao estado nutricional e às condições clínicas gerais antes da indicação cirúrgica. Esses cuidados são fundamentais para reduzir riscos, favorecer a cicatrização e potencializar resultados duradouros.
Outro ponto de atenção diz respeito à anestesia. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem retardar o esvaziamento gástrico, aumentando o risco de complicações anestésicas. “Por isso, a recomendação é que essas medicações sejam suspensas pelo menos 21 dias antes da cirurgia, conforme orientação da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, garantindo maior segurança ao paciente”, destaca o Harley.
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Entenda os principais riscos e cuidados
De acordo com o médico cirurgião Tulio Carneiro, especialista em reconstrução mamária, "o emagrecimento rápido e desmedido causado pelo uso das canetas de emagrecimento acarreta maiores índices de flacidez e perda de volume em face, mama e glúteos, o que gera desejo de correção na aparência física". Nesse sentido, ele destaca três pontos principais de atenção:
"Primeiro, o emagrecimento rápido e sem orientação adequada pode causar perda de muita massa magra (músculo) e isso pode atrapalhar a recuperação. Segundo, pode causar desnutrição e déficit de vitaminas, é necessário dosá-las e repor antes do procedimento. Terceiro, essas medicações precisam ser interrompidas por três semanas antes da cirurgia, pois aumentam o risco de complicações durante anestesia, com broncoaspiração".
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A médica cirurgiã Carine Barreto Gonzaga, CEO da Symetria Cirurgia Plástica, explica que também existem desafios para a segurança cirúrgica. "Esses medicamentos interferem no esvaziamento gástrico, no metabolismo, na composição corporal e no estado nutricional do paciente, o que pode impactar diretamente o risco anestésico e o processo de cicatrização. Por isso, a orientação reforçada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica é absolutamente pertinente."
"Observamos um aumento significativo na procura por cirurgias plásticas após emagrecimento rápido induzido por medicamentos, especialmente procedimentos como abdominoplastia, lifting corporal, mamoplastia e cirurgias faciais. No entanto, esses pacientes precisam ser avaliados com ainda mais cuidado, pois nem sempre o corpo está metabolicamente pronto para uma cirurgia."
Os cuidados também incluem:
- Avaliação nutricional detalhada, já que muitos pacientes apresentam perda de massa muscular, deficiência proteica ou de micronutrientes.
- Análise do risco anestésico, especialmente pelo atraso no esvaziamento gástrico, que aumenta o risco de broncoaspiração.
- Planejamento cirúrgico mais criterioso, respeitando o tempo de estabilização do peso corporal.
Pessoas 60+ devem ter atenção extra
- Avaliação clínica e cardiológica rigorosa.
- Ajuste preciso da suspensão do medicamento.
- Correção nutricional prévia.
- Indicação cirúrgica ainda mais criteriosa, sempre priorizando a segurança.
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