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Canetas para emagrecimento podem causar prejuízos à saúde de pessoas idosas

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Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, como náuseas, vômitos, intestino preso ou intestino solto, incluindo diarreia - Envato
Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, como náuseas, vômitos, intestino preso ou intestino solto, incluindo diarreia
Por Bianca Bibiano

05/01/2026 | 15h45 ● Atualizado | 17h38

São Paulo, 05/01/2026 - A popularidade dos medicamentos injetáveis para emagrecimento entre a população idosa tem gerado alertas médicos sobre os potenciais efeitos negativos de seu uso indiscriminado. 

Apesar de sua eficácia na perda de peso e no controle glicêmico, com benefícios importantes para o tratamento da obesidade, diabetes tipo 2, apneia do sono e até mesmo para a prevenção de doenças cardiovasculares e renais, o uso inadequado pode acarretar riscos à saúde.

De acordo com o endocrinologista Fernando Valente, professor da Faculdade de Medicina do ABC e diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), esses medicamentos só devem ser utilizados conforme prescrição e com indicação adequada, ajuste individualizado da dose e acompanhamento médico.

“Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, como náuseas, vômitos, intestino preso ou intestino solto, incluindo diarreia.”

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Quais são os principais riscos?

Valente afirma que dentre os principais problemas relacionados ao uso desses medicamentos estão a desidratação e a perda de eletrólitos, que podem comprometer a função renal e causar confusão mental, e a ingestão insuficiente de nutrientes, aumentando o risco de deficiências nutricionais.

Outro ponto de atenção é a composição corporal, diz o médico. "Sem orientação adequada, cerca de um terço da redução de peso é de massa magra, incluindo a massa muscular, cuja preservação é fundamental para manter a força, a mobilidade e a autonomia."

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No caso das pessoas idosas, a utilização das canetas exige atenção redobrada e acompanhamento multiprofissional rigoroso, pois os riscos associados ao uso incorreto aumentam de maneira significativa.

“Entre a população idosa, essa perda pode favorecer fraqueza, quedas, fraturas e acelerar o processo de perda de funcionalidade”, explica o endocrinologista.

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Ele destaca que há também a necessidade de ajustar outros medicamentos, como os usados para controlar diabetes, hipertensão e hipoglicemia. "Em idosos com diabetes, por exemplo, o acompanhamento oftalmológico também é indispensável", esclarece o médico.

Qual o impacto em pessoas acima de 60 anos?

Segundo o geriatra Ivan Aprahamian, diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o corpo da pessoa acima de 60 anos é  diferente de um adulto jovem. Nele, há mais gordura e menos músculo, sendo que cada grama de músculo perdido nessa fase da vida tem um impacto maior. Ele explica que o efeito combinado de menor apetite, náuseas e rápida perda de peso pode precipitar síndromes geriátricas, como sarcopenia e fragilidade física.

“Além disso, a promessa de resultados rápidos, como perder quatro quilos em um mês, pode ser enganosa e perigosa. No caso da pessoa idosa, o emagrecimento precisa ser lento, supervisionado e alinhado a uma atividade física progressiva, preferencialmente com foco em força muscular."

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Se o uso inadequado do produto original já representa risco, os de versões manipuladas ou de procedência duvidosa são ainda mais perigosos, pois podem conter alto grau de impurezas, moléculas diferentes da versão estudada clinicamente e contaminação por toxinas bacterianas, observa o médico.

Como utilizar com segurança?

A nutricionista Simone Fiebrantz Pinto enfatiza a necessidade de um acompanhamento nutricional intenso para pessoas idosas, para garantir a preservação da massa muscular e a saúde geral. Isso porque a diminuição da massa muscular reduz a chamada taxa metabólica basal, dificultando a manutenção do peso perdido. 

“É essencial que a pessoa idosa tenha a ingestão adequada de proteínas, hidratando-se e alimentando-se constantemente, por meio de refeições fracionadas, reduzindo os alimentos gordurosos e ultraprocessados para minimizar as náuseas e os vômitos.”

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O geriatra Ivan Aprahamian complementa destacando que, antes de fazer o uso das canetas emagrecedoras, a população 60+ precisa passar por uma avaliação médica especializada, fazer um monitoramento nutricional contínuo e fazer uma avaliação da funcionalidade, verificando sua composição corporal e mobilidade.

“O objetivo principal deve ser preservar a saúde, a qualidade de vida e a autonomia, e não apenas reduzir os números na balança a qualquer custo”, finaliza.

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