Esquecimentos após os 50? Saiba quando a perda de memória merece atenção
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São Paulo - Esquecer ocasionalmente onde deixou os óculos, ter dificuldade momentânea para lembrar o nome de alguém ou sentir que uma palavra está 'na ponta da língua' são situações que podem acontecer em qualquer idade e fazem parte do envelhecimento normal.
O que merece atenção é quando esses episódios se tornam mais frequentes, representam uma mudança em relação ao comportamento habitual e passam a interferir na rotina.
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Segundo o professor de psicologia Felipe Kenned de Oliveira Martins, do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), é natural que algumas pessoas precisem de mais tempo para recuperar determinadas informações com o passar dos anos, desde que continuem aprendendo, tomando decisões e realizando suas atividades de forma independente.
Nos esquecimentos comuns, a lembrança geralmente volta depois e a pessoa continua conduzindo sua vida. Na demência, as dificuldades prejudicam atividades que antes eram familiares e podem envolver também a fala, o comportamento e a orientação."
Quando se preocupar com a falta de memória?
Um dos principais sinais de alerta é a mudança no padrão de memória. Esquecer uma informação pontualmente não significa, por si só, que exista um problema cognitivo. Por outro lado, episódios recorrentes, como esquecer uma conversa que acabou de acontecer, fazer a mesma pergunta várias vezes em poucos minutos ou perder compromissos repetidamente, mesmo utilizando lembretes, merecem investigação.
Também é importante observar situações em que a pessoa passa a guardar objetos em lugares incomuns e não consegue reconstruir mentalmente os passos que realizou para encontrá-los.
Um episódio sozinho não é suficiente para dizer que alguém tem demência. Essas situações merecem investigação principalmente quando se tornam frequentes”, destaca o especialista.
Sinais de alerta para esquecimentos frequentes
- Dificuldade para acompanhar uma conversa, encontrar palavras comuns ou realizar um caminho conhecido são alguns exemplos que merecerem cuidados.
- Mudanças no comportamento também podem chamar a atenção, como maior isolamento, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer ou atitudes muito diferentes do padrão habitual.
- As dificuldades podem aparecer ainda em tarefas cotidianas: uma pessoa que sempre administrou as próprias contas ou preparou determinada receita, por exemplo, pode começar a se atrapalhar nessas atividades.
O geriatra e psiquiatra Ivan Aprahamian, professor livre-docente e diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) também reforça a importância de investigar alterações cognitivas persistentes:
A maioria das funções cognitivas decai com a idade. No entanto, apesar disso, é possível manter a autonomia e a independência. É importante investigar quando a piora cognitiva é exuberante, exagerada ou quando essa perda cursa com dependência para realizar atividades às quais a pessoa estava acostumada.”
Nem toda alteração cognitiva, porém, está relacionada à doença de Alzheimer. Depressão, transtornos do sono, descompensação de doenças, efeitos de medicamentos, deficiências vitamínicas e até o uso abusivo de álcool podem afetar a cognição. Por isso, identificar o que mudou e investigar a causa é fundamental:
“Frente a uma apresentação típica da doença, que perfaz 90% dos casos, vemos perda de memória verbal recente, ou seja, esquecimento de fatos ou eventos atuais. Em fases iniciais observamos confusões mentais com eventos, ocorrências recentes na vida daquela pessoa e desorientações espaciais e temporais”, esclarece Aprahamian.
Estresse e falta de sono levam a mais falhas de memória
Nem toda queixa de memória está relacionada a uma doença neurológica. Estresse, ansiedade e privação de sono podem dificultar a capacidade de registrar novas informações. Isso acontece porque, para lembrar posteriormente de algo, é necessário que a informação seja adequadamente percebida e armazenada inicialmente.
Depressão, determinados medicamentos e alterações da tireoide também podem estar relacionados a dificuldades de memória. Por isso, a avaliação deve considerar quando os sintomas começaram, o que estava acontecendo na vida da pessoa naquele período e se as dificuldades estão aumentando.
Para quem percebe uma piora progressiva da memória, o primeiro passo pode ser procurar um médico de família ou clínico geral, inclusive na Unidade Básica de Saúde (UBS). A partir dessa avaliação, outros profissionais podem ser envolvidos de acordo com a necessidade, como neurologista, geriatra ou psiquiatra, esclarece o psicólogo Felipe Martins.
Alimentação pode impactar na falta de memória
A médica nutróloga Sandra Fernandes, da Kora Saúde, explica que a falta de foco e o cansaço extremo também podem indicar que o cérebro está operando "na reserva" por falta de matéria-prima adequada, especialmente de nutrientes vitais.
Isso acontece especialmente quando o padrão alimentar é inadequado, seja pelo excesso de gorduras ruins e ultraprocessados ou pela restrição extrema de vitaminas, gerando uma espécie de inflamação silenciosa no organismo que prejudica a comunicação entre os neurônios e acelera o envelhecimento cerebral.
Nosso cérebro depende totalmente daquilo que a gente coloca no prato. Quando escolhemos os alimentos certos, estamos dando o combustível ideal para a nossa mente trabalhar sem esforço."
Fernandes destaca que inserir certos alimentos no dia a dia faz toda a diferença, e exemplifica:
- O ômega 3 do peixe funciona como uma capa protetora para as nossas células cerebrais.
- Um punhado de castanhas ou frutas vermelhas ajuda a combater o envelhecimento natural da mente.
- As vitaminas do complexo B, muito presentes no feijão, na lentilha e no grão-de-bico, são verdadeiras geradoras de energia constante para os neurônios.
- Os minerais, como o magnésio e o zinco, são bons para a concentração, além da colina, que está no ovo, é essencial para a nossa memória.
- Para blindar a mente, os vegetais verde-escuros como a couve e o brócolis.
- Já as frutas cítricas, como a laranja, são imbatíveis contra o estresse que esgota o cérebro.
"Se a pessoa está usando medicação para emagrecer ou vive na correria, o cuidado com esses alimentos precisa ser dobrado para a memória não falhar. É dar ao cérebro o que ele realmente precisa para funcionar bem", complementa.
Além da escolha dos ingredientes, a médica reforça a importância da hidratação e o cuidado com o consumo excessivo de cafeína para compensar o cansaço no expediente. Ela diz que, embora o café traga um estado de alerta temporário, o excesso ao longo do dia costuma mascarar a desidratação crônica, que é uma das principais causas de dores de cabeça e lapsos de memória no meio da tarde.
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