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Número de novos casos de HIV cai no mundo desde 2010, mas cresce no Brasil

Enquanto mundo reduz casos de HIV em 43%, Brasil registra alta de 20%. Veja diagnóstico do relatório Unaids

Estadão Conteúdo

Por Estadão Conteúdo

31/07/2026 | 09h31 ● Atualizado | 09h33

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Em 2024, foram contabilizados 39,2 mil novos casos de HIV - uma alta de 21,9% em relação ao registrado em 2014 - Adobe Stock
Em 2024, foram contabilizados 39,2 mil novos casos de HIV - uma alta de 21,9% em relação ao registrado em 2014
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São Paulo - O último Relatório Global do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), lançado durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, revela que as novas infecções por HIV caíram cerca de 43% no mundo desde 2010. No entanto, na contramão da tendência global, o Brasil registra um aumento de pelo menos 20% no mesmo período.

Desde o início da epidemia de HIV-Aids, o Brasil é apontado como um modelo internacional - inclusive pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS) - na prevenção e tratamento da infecção. Agora, entretanto, o País é apresentado no relatório como um dos 21 países em que o número de novas infecções vem crescendo nos últimos 15 anos.

Em 2010, o mundo registrava aproximadamente 2,1 milhões de novas infecções por ano. Em 2025, o indicador recuou para 1,2 milhão - a marca mais baixa em três décadas. Esse avanço expressivo reflete o impacto de terapias antirretrovirais eficientes e a expansão de métodos modernos de prevenção.

O que explica o aumento de casos no Brasil

Por outro lado, o relatório alerta que o progresso é desigual. O Brasil viu o volume de novos casos crescer, ao lado de países como Congo, Afeganistão e Sudão. Embora o País acumule conquistas recentes importantes - como a certificação pela eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho) e a ampliação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) -, o total de pessoas infectadas sobe em recortes populacionais específicos, como homens gays, transgêneros e trabalhadores do sexo.

De acordo com o Ministério da Saúde, até 2013, o País não exigia o registro compulsório de novos casos de infecção por HIV, somente de Aids. A partir de 2014, a notificação de infecção pelo vírus passou a ser obrigatória.

De acordo com o último boletim, em 2024, foram contabilizados 39,2 mil novos casos de HIV - uma alta de 21,9% em relação ao registrado em 2014. Estima-se que quase 1,7 milhão de brasileiros vivam com o vírus hoje.

Especialistas e lideranças do setor ouvidos no evento no Rio de Janeiro apontam que a alta de casos no País é resultado da combinação de fatores sociais, econômicos e estruturais. Eles citam especificamente:

  • O fim das grandes campanhas de conscientização;
  • Persistência do estigma e discriminação em algumas populações;
  • As desigualdades no acesso à PrEP;
  • Os cortes de financiamento;
  • Ilusão do fim da ameaça entre os mais jovens.

"Precisamos trabalhar melhor com comunicação e educação sobre formas de contágio e prevenção nas populações mais vulnerabilizadas", afirma o o infectologista Estevão Portela, diretor do Instituto de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz.

"Esbarramos, às vezes, em dificuldades com o conservadorismo, que cria barreiras para uma abordagem mais aberta dessas questões."

Na análise de Portela, a questão da PrEP também é crucial. "Temos dificuldades com o escalonamento da PrEP, que talvez seja a mais importante estratégia de prevenção", diz. "O atendimento no âmbito da PrEP permite também discutir formas de mitigação de risco, como o uso de preservativos, a vacinação contra algumas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), além do tratamento adequado para essas infecções."

Segundo o infectologista, na maior parte dos estados, ainda não há estratégias de capilaridade para que a PrEP chegue a populações que, normalmente, têm menos acesso aos serviços de saúde. "Para esses grupos, também seria fundamental o acesso à PrEP injetável, que melhora a adesão ao tratamento e, com isso, a eficácia dessa abordagem", acrescenta.

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