O que é colposcopia e quem precisa fazer?
Foto: Envato Elements
Por Joyce Canele
redacao@viva.com.brSão Paulo, 09/02/2026 - Com a atualização das diretrizes do Ministério da Saúde para o rastreamento do câncer do colo do útero, publicada em 2025 e válida em todo o Sistema Único de Saúde, a colposcopia, exame ginecológico que investiga o colo do útero, ganha ainda mais relevância no cuidado com a saúde ginecológica.
Realizado em consultórios e serviços especializados, o exame passa a ter papel central na investigação de alterações detectadas pelo teste molecular de DNA-HPV, adotado gradualmente no lugar do Papanicolau.
Segundo o Instituto Vencer o Câncer, o objetivo é identificar precocemente lesões que podem evoluir para câncer e reduzir mortes evitáveis.
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Como funciona a colposcopia?
A colposcopia é um exame ginecológico que permite a visualização detalhada do colo do útero, da vagina e da vulva por meio de um equipamento chamado colposcópio, que funciona como uma lente de aumento.
Diferentemente do Papanicolau, que analisa células coletadas do colo do útero, a colposcopia permite observar diretamente o tecido, identificando alterações visíveis que podem indicar inflamações, infecções, lesões benignas ou lesões pré-cancerosas.
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Durante o procedimento, o profissional de saúde aplica soluções específicas, como ácido acético ou iodo, que ajudam a evidenciar áreas suspeitas.
Caso sejam identificadas alterações relevantes, pode ser feita uma biópsia no mesmo momento, com retirada de pequenos fragmentos de tecido para análise laboratorial.
Para que serve o exame
A principal função da colposcopia é investigar resultados alterados em exames de rastreamento, como o Papanicolau ou o teste de HPV.
O exame ajuda a confirmar se há lesões precursoras do câncer do colo do útero e a definir a conduta adequada, que pode variar desde o acompanhamento até o tratamento imediato.
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Além do câncer cervical, a colposcopia também auxilia na avaliação de verrugas genitais, inflamações persistentes, sangramentos vaginais sem causa aparente e alterações na vulva ou na vagina.
Quem precisa fazer colposcopia?
A colposcopia não é um exame de rotina para todas as pessoas, mas é indicada em situações específicas.
Devem realizar o exame aquelas que apresentem alterações no Papanicolau, teste de HPV positivo para subtipos de alto risco, como o HPV 16 e 18, sangramento vaginal anormal, feridas visíveis no colo do útero ou verrugas genitais.
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Também é recomendada para acompanhamento de quem já tratou lesões no colo do útero, na vagina ou na vulva, para monitorar possíveis recidivas.
Em casos de inflamação persistente identificada em exames sucessivos, a colposcopia ajuda a esclarecer a origem do problema.
Como o exame é feito?
A colposcopia é realizada em consultório, em posição semelhante à do exame ginecológico comum. O espéculo é introduzido para permitir a visualização do colo do útero, enquanto o colposcópio permanece fora do corpo, ampliando a imagem.
O exame costuma ser rápido e, geralmente, causa apenas desconforto leve, quando há necessidade de biópsia, pode ocorrer sensação de pinçamento e pequeno sangramento.
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Não é necessário jejum nem preparo complexo, mas recomenda-se evitar relações sexuais e o uso de produtos vaginais nas 24 horas anteriores.
Cuidados após a colposcopia
Após o exame, especialmente quando há biópsia, é comum um leve sangramento ou corrimento por alguns dias.
A orientação geral é evitar relações sexuais, atividades físicas intensas e o uso de duchas vaginais ou absorventes internos por cerca de uma semana. Sinais como sangramento intenso, febre ou dor persistente devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Colposcopia e o novo rastreamento do câncer do colo do útero
Com a incorporação do teste molecular de DNA-HPV ao SUS, o rastreamento passa a ser mais espaçado quando o resultado é negativo, com intervalo de até cinco anos.
Já nos casos positivos, a colposcopia torna-se etapa fundamental para definir a gravidade da infecção e a necessidade de intervenção.
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A estratégia segue recomendações internacionais e reforça a importância do diagnóstico precoce. No Brasil, o câncer do colo do útero permanece entre os mais incidentes, apesar de ser altamente prevenível com vacinação, rastreamento adequado e tratamento oportuno das lesões iniciais.
Prevenção continua sendo essencial
Embora a colposcopia seja decisiva no diagnóstico, a prevenção começa antes. A vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS, o uso de preservativos e a adesão aos exames de rastreamento são as principais ferramentas para reduzir a incidência da doença, conforme a publicação realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Confren).
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Ao integrar novas tecnologias e fortalecer exames como a colposcopia, o sistema de saúde avança no enfrentamento de um câncer que, quando detectado cedo, tem altas chances de cura. (Por Joyce Canele)
Confira um vídeo explicativo
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