Xodó de Felipão, títulos e atrito com Jesus: o trajeto de Cristiano Ronaldo
O craque anunciou nesta quinta-feira (4) o fim da passagem pela seleção portuguesa, em comunicado divulgado nas redes sociais
Por Estadão Conteúdo
05/11/2026 | 12h04Fifa/Divulgação
Cristiano Ronaldo anunciou o fim de sua carreira na seleção portuguesa, após uma trajetória de 234 partidas e 146 gols, tornando-se o maior artilheiro da história das seleções nacionais. Sua aposentadoria ocorre em meio a divergências com o técnico Jorge Jesus, que impactaram sua continuidade na equipe.
Durante suas duas décadas com a seleção, Ronaldo conquistou a Eurocopa de 2016 e a Liga das Nações em 2019 e 2025, consolidando-se como um dos principais jogadores da história do futebol. Sua carreira na seleção começou sob a liderança de Luiz Felipe Scolari, que o promoveu ao time principal em 2003.
As tensões entre Ronaldo e Jorge Jesus culminaram em sua saída da concentração da seleção após um desentendimento sobre sua utilização em campo. A Federação Portuguesa de Futebol impôs uma suspensão de 30 dias ao jogador, que agora encerra sua trajetória com um legado significativo, mas também marcado por conflitos.
São Paulo - Da primeira chance sob o comando de Luiz Felipe Scolari para a aposentadoria depois de atrito com Jorge Jesus, Cristiano Ronaldo registrou uma trajetória marcada por gols e títulos relevantes por Portugal. O craque anunciou nesta quinta-feira o fim da passagem pela seleção lusa, em comunicado divulgado nas redes sociais.
Foram 234 partidas e 146 gols com a camisa vermelha portuguesa. Nenhum atleta na história do futebol balançou tanto as redes adversárias por uma seleção do que Cristiano Ronaldo.
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A primeira celebração veio em 2004, enquanto a última neste ano na vitória por 2 a 1 sobre a Croácia, na segunda fase da Copa do Mundo.
São 20 gols de vantagem sobre Lionel Messi, segundo colocado no ranking dos maiores goleadores de seleções nacionais e aposentado da seleção argentina há um mês.
Títulos e honraria
Nas duas décadas de defesa da seleção, Cristiano Ronaldo conquistou a maior honraria da história do futebol do país: a Euro de 2016.
O camisa 7 somou mais dois títulos antes de se aposentar, ao participar com destaque das campanhas vitoriosas na Liga das Nações da Uefa de 2019 e 2025.
A trajetória marcante encerrada nesta quinta começou graças a um brasileiro. Foi Luiz Felipe Scolari, em 2003, quem apostou na promoção de um então jovem Cristiano Ronaldo para a seleção principal.
Substituto de Luís Figo
Tratado na época como uma revelação do Sporting, o atacante substituiu o ídolo português Luís Figo e iniciou uma transição de geração, comandada justamente pelo trabalho de Felipão no país.
O primeiro gol saiu logo na primeira importante competição: a derrota na estreia da Euro de 2004 para a Grécia.
O craque voltou a balançar as redes na semifinal da competição contra a Holanda. Portugal ficou com o vice ao perder para os gregos na decisão disputada em Lisboa.
A partir da oportunidade dada por Scolari, Cristiano Ronaldo se consolidou como referência da equipe portuguesa. Com Felipão, esteve em ação na marcante campanha da seleção na Copa do Mundo de 2006: os lusos terminaram em quarto lugar, a melhor campanha desde 1966.
Líder na conquista da Eurocopa
O auge da carreira com a seleção veio dez anos depois. Consolidado como estrela mundial, Cristiano Ronaldo foi o grande líder de Portugal na conquista da Eurocopa. Tanto dentro quanto fora das quatro linhas.
Além da vice-artilharia e a Bola de Prata de segundo melhor atleta do torneio, o camisa 7 acabou marcado por uma situação dramática na decisão contra a França, que se tornou um símbolo de resiliência na carreira do jogador.
Ronaldo sentiu uma lesão e precisou deixar o gramado ainda no primeiro tempo da decisão. Fora das quatro linhas, ele virou um auxiliar-técnico participativo do treinador Fernando Santos.
Os gestos, instruções e discursos motivacionais marcaram e ajudaram o time antes de Éder fazer 1 a 0 na prorrogação para decidir a final.
Papel de protagonista
O astro português repetiu o papel de protagonista, mas em campo, nas outras duas conquistas. Na primeira edição da Liga das Nações, em 2019, Cristiano Ronaldo terminou como o artilheiro da fase final. Os três gols na semifinal contra a Suíça e o título contra a Holanda ampliaram o legado.
Em 2025, já em uma fase final de carreira pela seleção, o camisa 7 balançou as redes na semifinal contra a Alemanha e na decisão contra a Espanha, vencida nos pênaltis.
Toda essa trajetória de gols, títulos e legado, porém, terminou de maneira frustrante. Não houve alinhamento com o técnico Jorge Jesus, e relação se tornou um atrito público até terminar com o anúncio desta quinta-feira.
Divergências com Jorge Jesus
As diferenças começaram na primeira Data Fifa do novo comandante Em setembro, Cristiano Ronaldo foi substituído no meio do segundo tempo na vitória contra País de Gales e ouviu o treinador afirmar que precisava de um jogador com "mais velocidade" e capaz de pressionar a defesa rival.
A declaração antecipou a perda da condição de titular. Cristiano Ronaldo acabou preterido por Gonçalo Ramos, e a relação com Jorge Jesus se tornou insustentável. O craque aqueceu por cerca de 30 minutos e não foi utilizado pelo treinador, contrariando um combinado prévio de gestão física, segundo o veterano.
No dia 30 de setembro, diante dessa situação, Cristiano Ronaldo abandonou a concentração da seleção portuguesa após uma entrevista coletiva de Jorge Jesus. Foi o último ato do craque, suspenso por 30 dias e multado pela Federação que o reverencia nesta quinta-feira.
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