Finados e o luto não reconhecido: Entenda a dor silenciosa de perder um pet
Na data em que o País relembra suas perdas, especialista explica o peso da perda dos animais e como o afeto permanece vivo além do adeus
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No Dia de Finados, muitos brasileiros prestam homenagens a entes queridos, incluindo animais de estimação, cuja morte é frequentemente subestimada pela sociedade, resultando em um luto não reconhecido.
Estudos indicam que 21% das pessoas que perderam tanto um animal quanto um ser humano consideram a perda do pet mais dolorosa, com sintomas de luto prolongado semelhantes em ambos os casos.
A psicóloga Juliana Sato sugere que rituais de homenagem podem ajudar a lidar com a dor, e destaca a importância do acolhimento por parte de profissionais de saúde para validar o luto dos tutores de animais.
São Paulo - No Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira, 2, milhões de brasileiros visitam cemitérios, levam flores e prestam homenagens a familiares e amigos que morreram. Para quem perdeu um cão ou gato, a data também pode trazer lembranças de uma ausência que nem sempre encontra espaço para ser compartilhada.
Embora a morte de um animal de estimação possa provocar um sofrimento comparável ao da perda de uma pessoa próxima, esse tipo de luto ainda é frequentemente minimizado pela sociedade.
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Na psicologia, o fenômeno é conhecido como "luto não reconhecido", quando a dor de alguém não recebe validação social. A morte de um animal de estimação é um dos exemplos descritos pela literatura científica, explica a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet.
Um estudo publicado em janeiro de 2026 na revista científica PLOS One reforça a dimensão desse sofrimento. Conduzida pelo psicólogo Philip Hyland, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, a pesquisa do Reino Unido identificou que 21% das pessoas que já haviam perdido tanto um animal de estimação quanto uma pessoa próxima consideraram a morte do pet a experiência mais dolorosa que viveram.
O achado mais importante, porém, é outro: os sintomas de luto prolongado se organizaram da mesma maneira, fosse a perda de um animal ou de um ser humano"
Juliana Sato, psicóloga
Manter o vínculo sem ficar preso a ele
A relação com um animal de estimação não precisa terminar emocionalmente com a morte, explica a psicóloga. Na psicologia, a continuidade desse vínculo é estudada pelo conceito de vínculos contínuos, que descreve as formas pelas quais uma pessoa mantém uma conexão simbólica com quem morreu.
Segundo a especialista, essa relação pode contribuir para a elaboração da perda, mas também pode intensificar o sofrimento, dependendo de como é construída.
Rituais, memoriais, lembranças e até sonhos ajudaram tutores a se sentirem menos sozinhos. Quando o vínculo se organiza em torno da culpa ou dos aspectos dolorosos da relação, o sofrimento tende a aumentar"
O Dia de Finados pode ser uma oportunidade para criar um momento de homenagem ao animal. Acender uma vela, visitar o local onde as cinzas foram guardadas, reunir fotografias ou escrever uma carta são algumas maneiras de expressar a saudade e preservar as lembranças.
Esses gestos não precisam seguir uma tradição religiosa nem depender do reconhecimento de outras pessoas, afirma Juliana. O importante é que façam sentido para quem está vivendo a perda.
Quando procurar ajuda profissional?
O sofrimento pela morte de um animal merece atenção, especialmente quando interfere na rotina por um período prolongado. Quando, mesmo depois de meses, a saudade impede a pessoa de trabalhar, dormir ou manter a convivência social, é importante procurar acompanhamento profissional.
A especialista destaca que o acolhimento também precisa partir de veterinários e profissionais de saúde.
"Os profissionais também têm responsabilidade nesse caminho. Reações que minimizem o vínculo do tutor podem piorar o luto”, afirma.
Por isso, reconhecer a importância dessa relação é parte do processo de elaboração da perda. Afinal, a intensidade do luto está ligada ao vínculo construído ao longo da vida, independentemente do parentesco ou da espécie de quem morreu.
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