Doação de sangue pela primeira vez tem limite de idade? Conheça as regras
Quem já doa com frequência pode seguir após os 70 anos, conforme novas regras. Mas a primeira doação só pode ser feita até a pessoa ter 60 anos
Por Redação Viva
01/11/2026 | 16h04Divulgação - Governo de São Paulo
A partir de 1º de outubro, a nova Portaria GM/MS nº 11.685/2026 permite que doadores de sangue continuem a doar após os 70 anos, após avaliação médica, alterando a regra anterior que limitava a doação a 69 anos, com exceções apenas com relatório médico.
Estudos científicos, como o publicado pelo BEST Collaborative em 2019, indicam que a exclusão de doadores pela idade não é justificada, pois as reações adversas em doadores acima de 71 anos são semelhantes ou menores em comparação aos mais jovens.
Profissionais de saúde, como o Dr. Caio Henrique e a Dra. Niele Silva, apoiam a mudança e sugerem a ampliação das regras para doadores iniciantes acima de 60 anos, enquanto a nova norma já permite que pessoas curadas de câncer do tipo sólido doem após cinco anos de remissão.
São Paulo - Até que idade uma pessoa pode fazer sua primeira doação de sangue? A Portaria GM/MS nº 11.685/2026, em vigor desde 1º de outubro, permite que doadores de repetição continuem após os 70 anos. Mas a primeira doação segue limitada a quem tem até 60 anos, salvo casos tecnicamente justificados.
A geriatra Niele Silva de Moraes, presidente da seção paraense da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG-PA), defende expandir as garantias da nova regra: “Também considero pertinente discutir a ampliação para quem deseja começar a doar sangue depois dos 60, com base em evidências e critérios de segurança", afirma. "Envelhecer não é uma doença, é uma conquista.”
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Desde 2013, o limite máximo para a doação era de 69 anos, e doar após completar 70 anos só era possível como exceção, com relatório médico. A norma não fixa intervalos para essa faixa, que segue a mesma regra geral: até quatro doações por ano para homens e três para mulheres.
A mudança segue uma tendência internacional já aferida pela comunidade científica. Um estudo do BEST Collaborative publicado em 2019 na revista Transfusion concluiu que excluir doadores só pela idade não se justifica. Nos doadores acima dos 71 anos, as reações adversas, como tontura, palidez e desmaios, foram iguais ou menores.
O médico Caio Henrique de Souza Almeida, hematologista da Fundação Pró-Sangue de São Paulo, considera a alteração da idade máxima um avanço para a doação de sangue, salientando que os doadores idosos são assíduos.
Os doadores muitas vezes estavam muito bem de saúde, e a gente acabava perdendo esse doador. Agora, conseguimos recuperá-los.
Caio Henrique de Souza Almeida, hematologista da Fundação Pró-Sangue
Inclusive, há muitos doadores frequentes que são idosos, como observa o diretor técnico do Hemosc, Guilherme Genovez. “Eles apresentam elevadas taxas de retorno e baixos índices de sorologia reagente”, afirma, completando que o sangue desses doadores é descartado com menos frequência por sinal de infecções como HIV ou hepatites, por exemplo.
Idosos têm alguma restrição para doar sangue?
O idoso tende a ter mais queda de pressão ao fim da coleta, mas o padrão de envelhecimento saudável da atualidade faz com que muitos cheguem a idades mais avançadas em plenas condições de doar. “Hoje há pessoas com mais de 70 anos com a fisiologia bem preservada, mais parecida com a de um adulto de uns 50”, destaca Almeida.
A resposta à retirada de sangue varia entre as pessoas. “O envelhecimento pode reduzir a capacidade de adaptação à retirada de sangue. Isso varia muito entre as pessoas", explica Niele de Moraes. Algumas apresentam menor resposta cardiovascular às mudanças de volume, maior tendência à desidratação e queda de pressão ao se levantar, mas não são todas as pessoas que respondem dessa forma.
Seja qual for a idade, fatores como a anemia impedem a doação e devem ser investigados. Estoques baixos de ferro, constatados pelo nível de ferritina no sangue, também merecem atenção, podera a médica.
Doenças e medicamentos também influenciam essa resposta. Toda medicação em uso deve ser averiguada, pois a doença que exigiu o tratamento medicamentoso pode impedir a doação. É o caso de varfarina, rivaroxabana, apixabana, quimioterápicos, imunossupressores, finasterida, dutasterida, isotretinoína e acitretina.
Antes de doar, a recomendação é dormir bem, não ir em jejum, hidratar-se e levar a lista de medicamentos. Depois, levantar devagar e evitar esforço com o braço da coleta. A premissa vale para qualquer idade: estar se sentindo bem.
(Mateus Rolim, especial para o VIVA)
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