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Quase 90% dos conteúdos virais sobre saúde são falsos, aponta relatório

Análise mostra que conteúdos virais incluem desde falsas promessas de cura até uso inadequado de autoridade médica e distorção de estudos e dados

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

21/10/2026 | 11h21

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Diabetes é um dos alvos mais comuns relacionados à exploração comercial de conteúdo de saúde - AdobeStock
Diabetes é um dos alvos mais comuns relacionados à exploração comercial de conteúdo de saúde
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Um relatório da Agência Lupa e da rede Afya revela que 87,3% dos conteúdos de saúde viralizados entre 2017 e 2026 foram considerados falsos, destacando a rápida disseminação de desinformação nas redes sociais.

A análise de 764 conteúdos identificou que a maioria das fake news utiliza estratégias como falsa autoridade médica e distorção de dados, com temas como tratamentos caseiros e vacinas ganhando destaque, especialmente durante a pandemia de covid-19.

Em resposta a esse cenário, o relatório sugere a necessidade de maior vigilância e educação sobre saúde, uma vez que a desinformação pode ter consequências graves, especialmente em relação a doenças crônicas como o diabetes, que é frequentemente explorado em conteúdos enganosos.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Um relatorio divulgado nesta semana pela Agência Lupa em parceria com a rede Afya mostra que 87,3% dos conteúdos de saúde viralizados nas redes entre 2017 e 2026 foram considerados falsos após checagem minusciosa das informações.

A análise considerou 764 conteúdos virais sobre saúde, dos quais 667 foram classificados como falsos, o que equivale a mais de uma nova alegação falsa por semana. Esse tipo de publicação se espalha rapidamente e alcança uma grande quantidade de pessoas online por meio de compartilhamentos e engajamento. 

Estratégias mais recorrentes de fake news

O estudo identificou nove estratégias recorrentes na construção da desinformação em saúde. O uso de falsa autoridade médica ou científica é a estratégia mais frequente do estudo.

Segundo o relatório, essa prática não depende da invenção de um especialista, uma vez que declarações verdadeiras podem ser retirada de contexto, conclusões científicas exageradas, limitações de pesquisas omitidas e falas nunca feitas atribuídas a profissionais reais. Em vez de simplesmente rejeitar a ciência, esses conteúdos se apropriam de seus sinais de autoridade para conferir credibilidade a alegações falsas.

Veja as principais estratégias falsas identificadas nos conteúdos viralizados:

  1. Falsa autoridade médica ou científica
  2. Uso de medo e linguagem alarmista
  3. Distorção de estudos e dados
  4. Promessa de cura simples para problemas complexos
  5. Imagens e vídeos fora de contexto
  6. Descrédito de instituições sanitárias
  7. Reaproveitamento de conteúdos antigos
  8. Associação temporal apresentada como causalidade
  9. Depoimentos pessoais apresentados como evidência

'Receitinha milagrosa' para saúde

Tratamentos caseiros, vacinas, dengue, câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e nutrição estão entre os temas que ganharam maior espaço no período, especialmente antes e depois da pandemia de covid-19.

Nesse cenário, as receitas vendidas como milagrosas e tratamentos caseiros foram as principais constantes registradas no relatório, dividindo espaço nos últimos anos com anúncios pagos, vídeos manipulados e conteúdos que se apropriam dos nomes de médicos e medicamentos conhecidos. "A tecnologia muda; o princípio persuasivo permanece", diz a análise.

Em alguns casos, também foram identificadas postagens falsas associadas ao jornalismo, como os programas Fantástico e Bem Estar, da Rede Globo, além de cópias do site do médico Drauzio Varella vendendo produtos para bem-estar e saúde. O médico é um dos que mais teve sua imagem atrelada a conteúdos e chegou a ir a público em diferentes ocasiões informando que não comercializa nada na internet.

Diabetes é doença mais explorada em fake news

O diabetes é a doença mais explorada no recorte comercial do estudo. Das 18 verificações envolvendo exploração comercial da desinformação em saúde, sete (38,9%) tratavam de diabetes. 

Os conteúdos promoviam produtos que prometiam controlar ou reverter a doença, dispensar insulina ou outros medicamentos e permitir uma alimentação sem restrições, com variação entre suplementos em cápsulas ou gotas, supostos medicamentos, fórmulas anunciadas como naturais e até um medidor de glicose a laser.

Nesse cenário, o diabetes é apresentado como uma condição que poderia ser perfeitamente controlada ou até revertida por uma solução simples que o potencial consumidor não conhecia até aquele momento. Atualmente, a doença é considerada crônica e pode ser mantida em controle com acompanhamento médico e medicamentos adequados.

Papel da covid-19 na divulgação de fake news

O relatório destaca também o pandemia da covid-19, doença associada a mais de 7 milhões de mortes registradas em todo o mundo, no aumento de conteúdos virais falsos. Apenas entre 2020 e 2021, a Lupa analisou 452 conteúdos virais sobre saúde – cerca de dez vezes o registrado no período pré-pandemia.

Nesse cenário, as vacinas foram um dos principais alvos. Antes da Covid-19, conteúdos sobre vacinas correspondiam a 9,1% das checagens de saúde. A proporção chegou a 33,2% durante a pandemia e a 38,9% entre 2022 e 2024. Após 2025, o tema recuou para 20%.

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