Sucesso feminino exige apoio e vulnerabilidade, diz empreendedora Ana Fontes
Instagram/@anafontesbr
São Paulo - Empreender no Brasil é um processo difícil e se torna ainda mais desafiador quando se é mulher. Durante a palestra “Elas não abriram apenas negócios, abriram caminhos”, no Summit Mulheres nas Profissões, a fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto RME, Ana Fontes, disse que ela foi uma das responsáveis por começar a divulgar o empreendedorismo feminino. Ela lembrou que quando fazia buscas sobre o tema não aparecia nada.
Colocamos o empreendedorismo feminino no mapa e provamos que colocar dinheiro na mão da mulher muda o jogo. A RME foi criada em um cenário em que a pauta nem sequer existia.”
Hoje, cercada por um ecossistema com centenas de iniciativas, a executiva reforça a urgência de encarar o negócio próprio como alavanca econômica de fato e não como precarização do trabalho.
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Ela defendeu ainda que é preciso "normalizar mulheres ganhando dinheiro" e desconstruir a busca por uma perfeição sufocante. Ana também enfatizou a importância da vulnerabilidade e o apoio mútuo como chaves para o sucesso.
A gente é julgada por tudo, e a nossa autoconfiança vai sendo atacada ao longo da vida. O tempo inteiro a gente acha que errar é horrível, e temos menos autocuidado com o nosso erro. Eu tinha vergonha de falar que quebrei. Quando eu aprendi a me vulnerabilizar, foi mais fácil."
Ela também falou sobre a importância de uma mulher segurar na mão da outra. “Só cheguei até aqui porque outras mulheres seguraram na minha mão. Tirem o preconceito de achar que a mulher tem que ser boa e perfeita, isso é muito duro”, afirmou.
Ao final da palestra, Ana, que também é Membro do Conselhão da Presidência da República (CDESS) e Conselheira do Pacto Global da ONU Brasil, conversou com o VIVA.
VIVA – Quais são as estratégias para quem precisa abrir caminho para o novo negócio?
Ana Fontes: Eu tive muita gente que abriu o caminho para mim. Participe de eventos, de ambiente empreendedor para conhecer outros empreendedores e outras empreendedoras. Faça conexão com essas pessoas, porque empreender muitas vezes é muito solitário, é muito difícil, e desmotivador. É importante estar próximo de outras pessoas.
Outro ponto importante é fazer parte de redes de relacionamento, não estou falando só da Rede Mulher Empreendedora, grupo de relacionamento onde você pode trocar ideia com outros empreendedores. Isso é muito importante para quem está começando.
Outra dica para quem tem uma ideia, é testar o negócio usando o mínimo de recursos possíveis, de preferência sem nenhum dinheiro. Crie uma página, crie um grupo...faz a ideia primeiro funcionar, as pessoas pagarem por ela, e aí sim você vai ter certeza de que esse é um caminho para você empreender.
O mais importante é saber que para empreender é necessário aprender, buscar conhecimento, informação, conteúdos, para você se conectar com o nosso universo.
Abrir um negócio é difícil, manter ele aberto é ainda mais desafiador. Qual sua dica para ajudar a manter o negócio aberto?
Hoje no Brasil, cerca de 60% dos pequenos negócios fecham em até 5 anos. Essa é uma estatística muito dura. E esse fechamento tem a ver com má gestão, ou seja, precisa aprender sobre pessoal, sobre finanças, sobre como tocar um negócio. Normalmente, quando a gente cria um negócio, a gente acha que vai fazer só a essência do negócio.
Na verdade, você vai gastar mais de 90% do seu tempo cuidando de pessoas, de cliente, da gestão do negócio, da logística e tudo mais. Então, é fundamental que você aprenda sobre gestão.
Segunda coisa muito importante, trabalhe a sua saúde mental. Saúde mental faz a diferença. Empreender é muito cheio de altos e baixos, se você não tiver com a saúde mental em dia, não vai funcionar.
E a terceira coisa, se cerque de gente boa, seja colaborador, seja parceiro, seja aliado, seja funcionário, se cerque de gente boa, que as chances do seu negócio dar certo vão ser melhores.
A dona Luiza Trajando tem um projeto para ter 50% de mulheres em altos cargos de liderança até 2030. Na sua opinião, o que falta para que isso se torne realidade?
As empresas colocarem em prática, porque hoje ainda, mesmo as vagas que nós temos, as mulheres são preteridas nessa vaga, ou seja, são escolhidos o homem em detrimento dessa mulher. Então, o que precisa é a empresa colocar meta claras. A gente só muda o jogo fazendo, só assim vai ter a mudança.
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