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Trump admite que alta da gasolina com guerra no Irã impulsionou sua derrota

A insatisfação com o governo e a alta nos preços dos combustíveis foram fatores decisivos para a vitória democrata nas urnas

Broadcast

Por Broadcast

04/11/2026 | 17h50

White House

Trump disse que a guerra contra o Irã 'acaba quando eu quiser que termine' - White House
Trump disse que a guerra contra o Irã 'acaba quando eu quiser que termine'
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Após a vitória do Partido Democrata nas eleições, Donald Trump reconheceu que a guerra contra o Irã influenciou a derrota de seu partido, mas reafirmou que não se arrepende da ação militar, atribuindo a derrota principalmente ao aumento dos preços dos combustíveis.

Uma pesquisa revelou que a insatisfação do eleitorado com a inflação e o custo de vida foi um fator crucial para a mudança de votos, com muitos eleitores responsabilizando o governo pelas altas tarifas e promessas não cumpridas.

Com a nova configuração legislativa, Trump sinalizou disposição para dialogar com a oposição, enquanto os democratas planejam uma agenda de 100 dias focada em reduzir custos e reverter cortes em programas de saúde, além de negociações orçamentárias para evitar a paralisação do governo.

Resumo gerado por IA

Washington e São Paulo – Em sua primeira manifestação pública após o pleito de terça-feira (3) dar vitória ao opositor Partido Democrata, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano, reconheceu que as consequências da guerra contra o Irã pesaram no revés eleitoral de sua legenda, mas afirmou não se arrepender da ofensiva militar.

De acordo com a Broadcast, projeções da Associated Press (AP) divulgadas até as 15h30 (de Brasília) desta quarta-feira, os democratas garantiram 234 cadeiras na Câmara — ultrapassando as 218 necessárias para a maioria —, contra 139 dos republicanos, com 62 assentos ainda em apuração. No Senado, a oposição assegurou 54 vagas frente a 44 governistas, superando o patamar de 51 assentos, com duas vagas pendentes.

Trump atribuiu a derrota principalmente à disparada no valor dos combustíveis: "Provavelmente essa foi a principal razão. O preço. Não a guerra, o preço", declarou. Ele alegou que não teve escolha devido ao risco de Teerã desenvolver armas nucleares, sustentou que o Estreito de Ormuz permanece aberto, acrescentando que seu governo faz "um ótimo trabalho".

Afirmou que o conflito terminará "quando eu quiser que termine", além de defender que a ação "valeu a pena" e assegurar que os republicanos teriam vencido se seu nome estivesse nas urnas. O vice-presidente, JD Vance, já havia atribuído mais cedo a derrota republicana ao conflito com os iranianos.

Exaustão do eleitorado americano

Também mencionada pela Broadcast, uma sondagem da Associated Press com votantes revelou que a maioria do eleitorado compareceu às urnas exausta e irritada com o governo, apontando o fracasso nas promessas de controle inflacionário como motor da virada democrata. No Texas, 2 em cada 10 eleitores relataram dificuldades "severas" com a inflação e 6 em cada 10 citaram impactos "moderados", padrão observado por todo o território norte-americano.

Em nível nacional, eleitores preocupados com despesas correntes — como supermercado, saúde e combustível — votaram maciçamente nos candidatos democratas à Câmara, culpando o governo pelas altas tarifas, pelo conflito militar e por metas de preços não cumpridas.

O impacto inflacionário das medidas comerciais de Trump também foi destacado por analistas de mercado. Durante o evento Pecuária em Pauta, promovido pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), o coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank, avaliou que o encarecimento de importados penalizou o orçamento doméstico e pesou nas urnas.

“O recado das urnas ao Trump foi que o consumidor está sentindo no bolso o custo das tarifas mais altas”, disse Jank, pontuando que a política tarifária falhou no objetivo de tornar a indústria americana mais competitiva. 

Ameaças ao Partido Democrata

Diante do novo quadro legislativo, o chefe da Casa Branca sinalizou que poderá se entender com a oposição, "a menos que eles queiram ser destruídos", advertindo também que um processo de impeachment "destruiria o Partido Democrata". Trump também ameaçou recorrer ao veto presidencial para frear pautas rivais.

Questionado sobre o futuro de Pete Hegseth à frente da Secretaria de Guerra, o mandatário elogiou sua atuação e descartou afastá-lo, em resposta a informações da CBS de que consultara assessores sobre uma troca no cargo. Sobre 2028, disse não saber quem disputará a nomeação governista nem se Vance concorrerá.

Apesar da vitória, a pesquisa da AP faz um alerta aos democratas: o partido ainda enfrenta desconfiança e 7 em cada 10 eleitores afirmaram que o Congresso não tem atuado o bastante para exercer o devido controle e equilíbrio sobre o Poder Executivo.

Para responder a essas demandas, os democratas planejam uma agenda prioritária de 100 dias focada em baratear gasolina, mantimentos e produtos, além de reverter cortes no Affordable Care Act e no Medicaid, reforçando a fiscalização governamental.

O deputado democrata Hakeem Jeffries, cotado para assumir a presidência da Câmara, cobrou de Trump o encerramento do conflito no Oriente Médio antes da posse do novo Congresso, classificando-o como uma “guerra de escolha” que se mostrou “imprudente e custosa”.

Em entrevista à MS Now, Jeffries enfatizou: “O custo de vida, acessibilidade em geral, saúde, e a guerra imprudente e custosa de escolha no Irã, que, claro, está diretamente relacionada aos preços da gasolina, dos fertilizantes e do diesel, todos aumentam o custo de mantimentos e produtos”.

Antes da posse da nova legislatura e da eleição formal do presidente da Câmara, republicanos e democratas terão de negociar a aprovação do orçamento para impedir a paralisação da máquina pública federal, em um cenário no qual as chances governistas de aprovar medidas estritamente partidárias tornaram-se reduzidas.

(Por Pedro Lima, Leandro Silveira, Darlan de Azevedo)

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