Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Busca por sachês de nicotina cresce 1.200% na internet; Anvisa estuda regras

Adobe Stock

Santa Catarina lidera o ranking de curiosidade com um salto de 610% sobre sachê de nicotina - Adobe Stock
Santa Catarina lidera o ranking de curiosidade com um salto de 610% sobre sachê de nicotina
Por Emanuele Almeida

12/08/2026 | 10h26

São Paulo - O cenário do consumo de nicotina no Brasil está passando por uma transformação silenciosa, mas acelerada, que se reflete diretamente nas telas dos computadores e celulares. Nos últimos 12 meses, o interesse dos brasileiros por alternativas ao cigarro convencional disparou: as buscas por termos como "sachês de nicotina", "pouches" e "snus" registraram uma alta impressionante de 1.200% no Google Trends.

Esse movimento não é uniforme pelo País, concentrando-se fortemente nas regiões Sul e Sudeste. Santa Catarina lidera o ranking de curiosidade com um salto de 610%, seguida por

  • São Paulo (+580%);
  • Rio Grande do Sul (+530%);
  • Rio de Janeiro (+480%).

Sachês não têm regulamentação específica

No entanto, enquanto a curiosidade digital aumenta, o País vive um impasse institucional. Apesar de ainda não possuírem uma regulamentação específica, os sachês de nicotina já fazem parte do cotidiano de uma parcela significativa da população.

Estima-se que 10 milhões de brasileiros façam uso frequente desses produtos ou de outras alternativas ao tabaco fumado, segundo dados da Ipsos com a USP. A Anvisa, ciente dessa pressão, encerrou recentemente o prazo para contribuições da sociedade civil que ajudarão a embasar a Análise de Impacto Regulatório (AIR) sobre esses novos produtos de nicotina oral.

Para o presidente do Diretório de Informações para Redução dos Danos do Tabagismo (Direta), Alexandro Lucian, a demora na definição de regras claras empurra o consumidor para a vulnerabilidade:

Não existe proteção em um mercado clandestino. Quando o Estado abre mão de regulamentar, entrega milhões de consumidores a quem lucra justamente por não cumprir nenhuma regra", destaca. 

Ele adiciona ainda que o Brasil já pagou caro demais por insistir em uma política que não reduziu o consumo, mas apenas eliminou o controle, enquanto a maioria dos países desenvolvidos já optou pela regulamentação como caminho mais eficaz de proteção.

Exemplos de fora

O debate brasileiro ganha corpo ao olhar para o exterior. A Suécia tornou-se o caso de sucesso mais emblemático, atingindo uma taxa de fumantes diários de apenas 3,7% — abaixo da meta de 5% da Organização Mundial da Saúde para um país ser considerado "livre do fumo". Esse resultado foi alcançado justamente por meio do incentivo à migração do cigarro para produtos de nicotina oral.

 Lá se faz uso de snus [produto de tabaco úmido sem fumaça, geralmente vendido em pequenos sachês semelhantes a saquinhos de chá] e, mais recentemente, de sachês, os chamados "pouches".

A ciência internacional tem oferecido suporte a essa transição. Relatórios do Reino Unido e diretrizes do Parlamento Europeu reconhecem que esses produtos representam apenas uma fração dos riscos do tabagismo tradicional.

"Como demonstram experiências internacionais, a exemplo da Suécia, países que adotaram estratégias de redução de danos e regularam produtos de risco reduzido observaram queda expressiva nas taxas de câncer oral, doença periodontal e mortalidade associada ao tabaco", afirma a cirurgiã-dentista e estomatologista Catalina Riera. 

Ela reforça que a discussão precisa ser pautada pela saúde pública e pela hierarquia de riscos. "No Brasil, essa discussão esbarra em um problema central: a ausência de regulação", destaca. 

Embora os benefícios da redução de danos sejam visíveis em dados internacionais, a especialista ressalta que não existe produto totalmente inofensivo. O ponto central da discussão, para Riera, é a transparência e o controle que só a legalidade oferece:

A cirurgiã-dentista pontua que é fundamental ressaltar que nenhum produto à base de nicotina é isento de riscos, especialmente em relação à dependência e aos efeitos vasoconstritores. No entanto, há extensa literatura comprovando que, ao eliminar a combustão, esses produtos reduzem em até 95% a exposição a compostos químicos e demais carcinógenos presentes na fumaça do cigarro. 

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias