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Consumo de café: existe uma quantidade ideal após os 50 anos? Entenda

Pequenos ajustes no dia a dia podem garantir bem-estar para quem gosta de beber café todo dia; produto está presente em 98% dos lares brasileiros

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

06/11/2026 | 09h31

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Parâmetros internacionais indicam que 400 miligramas de cafeína por dia não causa malefícios - AdobeStock
Parâmetros internacionais indicam que 400 miligramas de cafeína por dia não causa malefícios
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O café é uma bebida amplamente consumida no Brasil, presente em 98% dos lares, mas sua relação com a saúde em pessoas acima de 50 anos gera questionamentos sobre a quantidade ideal a ser consumida.

Especialistas afirmam que, embora a diretriz internacional sugira um limite de até 400 mg de cafeína por dia para adultos saudáveis, essa quantidade deve ser avaliada individualmente, considerando a saúde e a sensibilidade de cada pessoa.

Recomendações atuais incluem moderação no consumo, evitando cafeína após as 15h para não prejudicar o sono, e uma avaliação contínua dos efeitos do café no organismo, especialmente em casos de doenças crônicas como hipertensão e diabetes.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Presente na rotina diária da população brasileira, o café é uma das bebidas mais populares do País. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), divulgados em 2026, apontam que o produto está presente em 98% dos lares brasileiros, com um consumo médio anual estimado em cerca de 1.400 xícaras por habitante. 

Apesar da forte presença cultural e alimentar, o avanço da idade frequentemente levanta dúvidas sobre os impactos do hábito na saúde. Afinal, existe uma quantidade ideal de café para quem já passou dos 50 anos, e de que forma fatores como sono, coração e cognição exigem adequações no consumo?

Especialistas das áreas de cardiologia, neurologia e nutrição explicam que, embora existam parâmetros genéricos de segurança internacionais, a relação com a cafeína na maturidade é individual e depende do estado de saúde, do uso de medicamentos e da sensibilidade de cada organismo.

Quantas xícaras de café pode tomar por dia?

As recomendações sobre café variam conforme as pesquisas avançam. Atualmente, para adultos saudáveis, as diretrizes internacionais consideradas pela maioria dos médicos indicam que o consumo de até 400 miligramas (mg) de cafeína por dia não costuma causar efeitos negativos.

Contudo, esse valor funciona como um limite máximo de segurança individual, e não como uma meta ou recomendação padrão para quem está na faixa dos 50 ou 60 anos. Além disso, 400 miligramas (mg) de cafeína não significa a mesma quantidade de pó de café.

De modo geral, a nutricionista integrativa Carol Magno diz que, na prática clínica, costuma considerar o consumo moderado, como uma ou duas xícaras ao dia de café coado, sempre avaliando a tolerância individual.

Mas a quantidade de cafeína por xícara de café depende diretamente do tipo de grão, do grau de concentração e do método de preparo:

  • Café coado : uma xícara de aproximadamente 150 ml fornece entre 60 mg e 120 mg de cafeína, a depender do pó e do tempo de infusão.
  • Café expresso em cápsula: apresenta um teor de cafeína que varia em média entre 55 mg e 65 mg por porção.

Diante dessas variações, o cardiologista Augusto Neno, da rede MedSênior, destaca que não há uma métrica genérica aplicável a todas as pessoas na maturidade.

O café não precisa ser retirado da rotina simplesmente porque a pessoa passou dos 50 ou 60 anos. O que precisamos avaliar é como o organismo responde à cafeína, se existem doenças que exigem atenção e se o consumo está associado a sintomas. Uma quantidade bem tolerada por uma pessoa pode provocar desconforto em outra.
Augusto Neno, médico cardiologista

Estudo associa café ao menor risco de demência

Se o exagero pode trazer desconforto, a dosagem certa do café atua como uma aliada expressiva da longevidade cognitiva. Um estudo publicado na prestigiada revista científica JAMA (The Journal of the American Medical Association) acompanhou cerca de 130 mil pessoas nos Estados Unidos ao longo de quase quatro décadas.

Durante o período do estudo, 11.033 participantes desenvolveram quadros de demência. O levantamento estatístico revelou que as pessoas que consumiam entre duas e três xícaras de café (de 237 ml cada) por dia apresentaram um risco 18% menor de desenvolver demência em comparação àquelas com consumo reduzido.

Os cientistas também observaram uma associação positiva entre bebidas com cafeína (como café e chá) e um melhor desempenho cognitivo geral.

Sobre isso, o neurologista Edson Issamu Yokoo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica os mecanismos neuroprotetores por trás desse resultado. A cafeína é tida como neuroprotetora por regular a liberação de neurotransmissores como o glutamato, que é responsável por evitar a toxicidade celular. Ela também estimula a produção de BDNF, uma proteína que ajuda na sobrevivência das células e na plasticidade sináptica. "Somado ao alto teor de antioxidantes, esse processo ajuda a blindar o tecido cerebral contra o estresse oxidativo, o que mantém a integridade das conexões neurais", afirma.

Diabetes e outras doenças crônicas

Em relação ao diabetes, a nutricionista Carol Magno esclarece que pesquisas apontam uma relação benéfica entre o consumo habitual de café e o menor risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 na população. No entanto, ela faz uma ressalva importante: a bebida não atua como preventivo direto nem garante o controle glicêmico.

"A cafeína pode modificar temporariamente a sensibilidade à insulina e a resposta da glicose em algumas pessoas. Por isso, a abordagem deve ser individualizada, avaliando a saúde metabólica e os ritmos biológicos de cada paciente sem estabelecer restrições desnecessárias", observa.

Quanto ao impacto do café no sistema cardiovascular, o cardiologista Augusto Neno afirma que a presença de diagnósticos de hipertensão ou doenças cardiovasculares não exige a eliminação sumária da bebida. O mais importante é entender se a doença está controlada e qual a reação do corpo ao café:

  • Hipertensão sob controle: quando a pressão arterial está bem controlada, o consumo moderado costuma ser bem tolerado. Em casos de hipertensão grave ou descontrolada, a recomendação médica é de maior cautela e limitação da cafeína.
  • Sintomas de alerta: palpitações persistentes, dores no peito, falta de ar intensa ou episódios de desmaio jamais devem ser ignorados ou atribuídos automaticamente ao café. Esses sinais exigem avaliação médica imediata.

Horário de beber café faz diferença

Como a cafeína apresenta uma meia-vida média de quatro a seis horas, seus efeitos estimulantes podem persistir na corrente sanguínea até a hora de deitar, reduzindo a eficiência do sono mesmo quando a pessoa consegue adormecer.

Carol Magno explica que a cafeína atua bloqueando os receptores de adenosina, a substância responsável por sinalizar ao cérebro a necessidade de descansar. Ou seja, o café não gera energia química propriamente dita, mas mascara temporariamente a percepção de fadiga.

A nutricionista Giselli Prucoli, da MedSênior, diz que muitas pessoas associam o café apenas à disposição que ele proporciona durante o dia, mas esquecem que seu efeito pode continuar por várias horas. 

"Quem apresenta dificuldade para dormir ou percebe que acorda cansado pode se beneficiar de uma avaliação dos horários e da quantidade consumida, principalmente no período da tarde e da noite."

Como beber café sem impactos negativos na saúde

  • Aposte na moderação: uma a duas xícaras de 150 ml ao dia costumam ser uma dosagem bem tolerada e suficiente para obter os benefícios cognitivos.
  • Beba puro: evite açúcar, adoçantes sintéticos, chantilly, caldas e leites gordurosos para preservar as propriedades antioxidantes e protetoras.
  • Respeite o seu relógio biológico: evite o café com cafeína após as 15h ou 16h para garantir um sono reparador.
  • Escute os sinais do seu corpo: insônia, agitação, ansiedade, desconforto no estômago, palpitações ou alterações de pressão são indicativos de que é hora de reavaliar a dose ou o horário.

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