Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Aprenda a rever hábitos para reduzir o risco de câncer na vida adulta

Pexels

Alimentação, atividade física, cuidados com o sol ajudam a prevenir câncer em adultos - Pexels
Alimentação, atividade física, cuidados com o sol ajudam a prevenir câncer em adultos
Por Bianca Bibiano

04/02/2026 | 15h27

São Paulo, 04/02/2026 - Estimativas divulgadas hoje pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Segundo especialistas consultados pelo VIVA, porém, muitos desses casos podem ser prevenidos com mudanças no estilo de vida.

De acordo com o médico Anaor Neto, profissional de clínica médica no AmorSaúde, o desenvolvimento do câncer tem múltiplas causas, incluindo fatores genéticos e de envelhecimento, mas a exposição do corpo constantemente a agentes carcinogênicos provoca mutações no DNA e também acarreta a doença.

Leia também: Brasil terá 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, diz Inca

Nesse sentido, ele destaca que alterações nesses aspectos poderiam evitar até metade dos casos de câncer, considerando estimativas anteriores do Inca.

Hábitos como o tabagismo, tomar sol sem proteção, o consumo excessivo de ultraprocessados e o sedentarismo criam um microambiente favorável ao desenvolvimento do câncer", resume o médico.

Segundo a doutora em ciências médicas Theodora Karnakis, presidente da comissão de oncogeriatria da Sociedade Brasileira de Geriatria (SBGG), a mudança de hábitos pode beneficiar especialmente pessoas cima dos 50 anos de idade, faixa em que a incidência de câncer aumenta drasticamente.

"De acordo com dados globais e do Inca, aproximadamente 70% a 80% de todos os novos diagnósticos de câncer ocorrem em indivíduos com mais de 50 ou 60 anos", esclarece. Ela explica que os principais tipos são cânceres de próstata, pulmão e colorretal em homens. Já em mulheres são câncer de mama, colorretal e pulmão, dos quais a maioria poderia ser evitado.

Mais de 70% dos casos de câncer são preveníveis com mudanças de estilo de vida", reitera Karnakis.

Leia tambémCâncer em pessoas idosas exige tratamento personalizado, alerta oncogeriatra

10 hábitos que ajudam a reduzir o risco de câncer 

Confira a seguir dez aspectos mencionados pelos médicos Theodora Karnakis e Anaor Neto que podem contribuir para reduzir a incidência de câncer estimada para o Brasil nos próximos anos.

Evitar o hábito de fumar

O cigarro contém cerca mais de 70 substâncias capazes de causar câncer e provocar danos ao DNA, afetando não apenas o pulmão. De acordo com Neto: "Não existe consumo seguro de tabaco. Parar de fumar é a medida isolada mais eficaz para reduzir o risco de câncer."

Diminuir o consumo de álcool

Após ser ingerido, o álcool é metabolizado em acetaldeído, composto que dificulta o reparo do DNA e facilita a entrada de outras substâncias cancerígenas nas células. O médico recomenda consumo moderado de bebidas alcoólicas. Já Karnakis também pondera que o álcool é um fator de risco subestimado para câncer de mama e de esôfago após os 50 anos.

Manter o peso sob controle

"A obesidade é considerada um dos principais fatores de risco para o câncer que podem ser evitados", explica Neto. Segundo o médico, um Índice de Massa Corporal (IMC) saudável reduz processos inflamatórios associados ao excesso de gordura. Karnakis reforça que a obesidade gera um estado inflamatório crônico que facilita mutações celulares.

Leia também: 'A obesidade vai contra a longevidade': médicos explicam riscos para os 50+

Praticar atividades físicas

O sedentarismo favorece o ganho de peso e compromete o metabolismo da glicose, aumentando a resistência à insulina e o risco de câncer. A prática de pelo menos 150 minutos de atividade física por semana ajuda a regular os níveis de insulina. Karnakis acrescenta que o exercício também contribui para a melhora da fadiga, reduz o risco de quedas e auxilia no controle da ansiedade e do estresse.

Consumir produtos naturais

Neto explica que "fibras e fitoquímicos presentes em vegetais ajudam a eliminar toxinas do corpo". Assim, uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras contribui para a prevenção do câncer.

Evitar ultraprocessados

Neto observa alimentos como presunto, salsicha e bacon contêm nitritos e nitratos que, sob altas temperaturas, transformam-se em nitrosaminas, compostos altamente agressivos à mucosa gástrica e intestinal. Karnakis lembra, ainda, que os embutidos são classificados como cancerígenos confirmados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Leia também: Ultraprocessados viciam como cigarro, aponta estudo de universidades dos EUA

Usar protetor solar

Os danos causados pelos raios ultravioleta são o principal fator de risco para o câncer de pele. O uso regular de protetor solar e de roupas que bloqueiam a radiação solar reduz significativamente o risco da doença.

Manter a vacinação em dia

Vacinas contra o HPV e a hepatite B ajudam a prevenir casos de câncer do colo do útero, do fígado e da garganta.

Observar sinais do corpo

Pintas que mudam de cor, surgimento de nódulos ou perda de peso superior a cinco quilos sem causa aparente podem ser sinais de alerta e devem ser investigados.

Realizar exames médicos

Exames como mamografia, colonoscopia e papanicolau aumentam de forma expressiva as chances de cura, podendo alcançar índices superiores a 95% quando o diagnóstico é feito precocemente.

Sinais de alerta para o câncer

Os médicos explicam que, ao seguir essas dicas, é possível evitar inflamações, desintoxicar o organismo e reduzir a exposição a substâncias danosas, o que diminui o risco de câncer. Porém, mesmo ao adotar os cuidados descritos acima, ainda é necessário prestar atenção aos sinais emitidos pelo corpo.

Nesse sentido, Anaor Neto afirma que existem algumas 'bandeiras vermelhas' emitidas pelo corpo que podem indicar a necessidade de procurar um médico e realizar exames preventivos.

Estar sempre cansado, perceber mudanças nos hábitos intestinais ou urinários, apresentar feridas que não cicatrizam e nódulos nos seios e nos testículos são sinais de alerta que não podem ser ignorados."

O médico também ressalta a importância de realizar autoexames, como a checagem de nódulos nos seios. Em casos em que há histórico familiar, o cuidado deve ser redobrado. "Nessa situação, o paciente deve manter o rastreamento sistemático e fazer exames como mamografia, papanicolau e colonoscopia após os 45 anos", lista o profissional.

Cuidados para pessoas 50+ com câncer

Quando se trata do cuidado de pacientes com mais de 50 anos diagnosticados com câncer, a médica oncogeriatra Theodora Karnakis defende uma abordagem multidisciplinar, que não considere apenas a doença, mas também a reserva funcional do paciente. Segundo ela, é essencial valorizar não apenas a idade cronológica, mas a idade funcional, com atenção aos seguintes pontos:

  • Avaliação de comorbidades: tratar doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas, é fundamental, pois elas podem complicar o tratamento oncológico e, em alguns casos, ser mais graves que o próprio câncer.
  • Risco imunológico: o envelhecimento do sistema imune, conhecido como imunossenescência, exige maior atenção a infecções e inflamações crônicas.
  • Risco nutricional: a perda de massa muscular, ou sarcopenia, deve ser combatida para manter a resiliência física.
  • Risco de polifarmácia: idosos geralmente fazem uso de mais de três medicamentos, que podem interagir entre si e interferir no tratamento.
  • Avaliação do risco de quedas e incapacitação: é importante adotar medidas para minimizar riscos ambientais, físicos e relacionados a medicamentos.
  • Avaliação da cognição: alterações de memória e dificuldades cognitivas podem comprometer a adesão ao tratamento, sendo essencial garantir a capacidade de compreensão e orientação do paciente.
  • Avaliaçaõ de saúde mental: identificação de sintomas de depressão, ansiedade e estresse.
  • Suporte social: o tratamento oncológico demanda tempo e disponibilidade de familiares e cuidadores para acompanhar consultas, deslocamentos para quimioterapia e radioterapia, além de auxiliar nos efeitos colaterais e no suporte nutricional.
  • Avaliação da expectativa de vida: esse fator deve ser considerado de forma cuidadosa na tomada de decisão terapêutica.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias