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Janeiro branco: entenda motivo de campanha

Foto: Envato Elements

Inspirado em ações como Outubro Rosa e Novembro Azul, o Janeiro Branco propõe que a saúde mental seja tratada como prioridade coletiva - Foto: Envato Elements
Inspirado em ações como Outubro Rosa e Novembro Azul, o Janeiro Branco propõe que a saúde mental seja tratada como prioridade coletiva

Por Joyce Canele

redacao@viva.com.br
06/01/2026 | 10h06 ● Atualizado | 15h32

São Paulo, 06/12/2026 - O mês de janeiro marca o início da campanha Janeiro Branco, movimento nacional de conscientização sobre saúde mental e emocional.

Criada para estimular o debate público e a prevenção de transtornos psicológicos, a iniciativa ganha força justamente neste período em que muitas pessoas revisitam planos, expectativas e frustrações.

O objetivo é claro: alertar sobre os impactos do estresse, da ansiedade e da depressão na vida cotidiana e incentivar o cuidado contínuo com a mente, assim como já ocorre com campanhas voltadas à saúde física.

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Inspirado em ações como Outubro Rosa e Novembro Azul, o Janeiro Branco propõe que a saúde mental seja tratada como prioridade coletiva. De acordo com Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, a cor branca simboliza recomeço e possibilidade, associada à ideia de uma 'folha em branco', na qual cada pessoa pode repensar sua trajetória, suas emoções e suas relações.

Segundo a reportagem publicada no portal VIVA, dados recentes da Fundação Oswaldo Cruz indicam que jovens entre 15 e 29 anos concentram taxas elevadas de internações por transtornos mentais, ao mesmo tempo em que recorrem menos aos serviços de acompanhamento contínuo.

Entre 2022 e 2024, a taxa nacional foi de 579,5 internações a cada 100 mil habitantes nessa faixa etária, número que sobe para 719,7 entre pessoas de 25 a 29 anos. Os principais diagnósticos associados às hospitalizações incluem esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e delirantes, além de transtornos de humor.

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O levantamento também aponta uma desigualdade de gênero, homens pardos são os que mais passam por internações, com uma incidência 57% maior do que entre mulheres, sobretudo em casos relacionados ao uso abusivo de substâncias psicoativas.

Apesar do avanço das internações, o acesso aos serviços de saúde mental na Atenção Primária permanece limitado entre os jovens. Enquanto 24,3% dos atendimentos da população em geral envolvem essa demanda, entre pessoas de 15 a 29 anos o percentual cai para 11,3%. Homens jovens concentram a maior parte desses atendimentos, mas ainda em patamares reduzidos, enquanto entre mulheres o número é ainda menor.

Em relação aos idosos, uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva encomendada pela farmacêutica Apsen e publicada em novembro de 2025 aponta que 69% dos brasileiros com mais de 50 anos fazem seus exames de rotina regularmente. Mas, apenas 32% realizam acompanhamento voltado à saúde mental.

No geral, o cuidado com a saúde mental ainda está abaixo do esperado para essa faixa-etária: apenas 40% fazem acompanhamento regular.

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Os fatores para tais números são diversos, segundo pesquisadores da Fiocruz, cultura e economia são algum deles que ajudam a explicar o cenário, incluindo a valorização da autossuficiência masculina, que dificulta a procura por ajuda profissional. 

Transtornos mentais e impacto no trabalho

Ansiedade, depressão, síndrome do pânico, transtornos de humor, esquizofrenia e transtorno bipolar estão entre as condições que podem comprometer, de forma temporária ou permanente, a capacidade laboral. Além de fatores genéticos, essas doenças podem estar relacionadas ao estresse prolongado, traumas e uso de substâncias.

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Quais benefícios podem ser concedidos

Quando o quadro clínico impede o exercício profissional, entram em cena os benefícios previdenciários administrados pelo INSS. A legislação prevê diferentes tipos de proteção social para pessoas com transtornos mentais, desde que cumpridos critérios específicos.

  • O benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, é destinado a quem está afastado do trabalho por um período determinado em razão da doença, avaliado e aprovado pelo INSS. 
  • Já o benefício por incapacidade permanente, que substituiu a aposentadoria por invalidez, é concedido quando a incapacidade é definitiva, avaliado e aprovado pelo INSS. 

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Há ainda o Benefício de Prestação Continuada, o BPC, voltado a pessoas com deficiência de qualquer idade e idosos a partir de 65 anos que vivam em situação de vulnerabilidade social. Diferentemente dos demais, o BPC não exige contribuição prévia ao INSS.

É frequente a ideia de que quem nunca contribuiu para a Previdência pode receber aposentadoria por invalidez, isso não procede.

Nesses casos, quando atendidos os requisitos legais, o benefício possível é o BPC, que depende da comprovação de renda familiar baixa e inscrição atualizada no Cadastro Único do governo federal.

Como obter o benefício?

Para qualquer benefício por incapacidade, é indispensável apresentar laudos, relatórios e exames médicos que comprovem a doença mental e indiquem a Classificação Internacional de Doenças, a CID. A concessão depende de perícia médica do INSS, responsável por avaliar se há incapacidade para o trabalho e sua duração.

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O pedido pode ser feito pelo site ou aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135. No dia da perícia, o segurado deve levar documentos pessoais e toda a documentação médica disponível.

Tratamento psicológico gratuito

Em todo o país, o Sistema Único de Saúde oferece atendimento psicológico gratuito por meio dos Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS, que se consolidaram como a principal porta de entrada da rede pública para o cuidado em saúde mental.

Criados para acolher pessoas em sofrimento psíquico e usuários de álcool e outras drogas, esses serviços funcionam de forma integrada com unidades básicas, hospitais e serviços de urgência, priorizando o acompanhamento contínuo e a permanência do paciente em seu território, sempre que possível.

A matéria publicada pelo VIVA, detalha esse programa, e explica que o acesso ao CAPS é direto e não exige encaminhamento médico. A pessoa pode procurar espontaneamente a unidade mais próxima, onde passa por uma escuta inicial realizada pela equipe multiprofissional.

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A partir desse acolhimento, é definido um plano de cuidado que pode incluir psicoterapia, atendimento médico, atividades em grupo e acompanhamento social. Também há possibilidade de encaminhamento por outros serviços do SUS, como UBS, UPA ou hospitais gerais, conforme a necessidade do caso.

Organizados em diferentes modalidades, os CAPS atendem crianças, adolescentes, adultos e idosos, de acordo com o perfil da população e o porte do município.

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Há unidades voltadas a transtornos mentais graves e persistentes, outras especializadas em infância e adolescência, além daquelas focadas em álcool e outras drogas, incluindo serviços com funcionamento 24 horas. O atendimento é universal, gratuito e não depende de renda, vínculo empregatício ou plano de saúde.

Como cuidar da saúde mental no dia a dia

Especialistas reforçam que o cuidado com a saúde mental começa por metas realistas e expectativas ajustadas à realidade. Projetos muito ambiciosos, sem planejamento, tendem a gerar frustração e sofrimento emocional.

Atividades que tragam prazer, prática regular de exercícios, alimentação equilibrada e sono de qualidade são aliados importantes.

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Manter horários regulares para dormir, reduzir o uso de telas à noite e criar um ambiente adequado ao descanso ajudam a melhorar o sono. Reconhecer emoções, prestar atenção ao momento presente e evitar a autocobrança excessiva também fazem parte do processo.

O sofrimento emocional pode ser prevenido ou atenuado quando há informação, acolhimento e busca por apoio profissional.

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Ao colocar a saúde mental no centro logo no início do ano, o Janeiro Branco reforça que cuidar da mente não é uma decisão pontual e trata-se de uma necessidade permanente, com impactos diretos na qualidade de vida, no trabalho e nas relações sociais.

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